Sucesso terapêutico no tratamento de fumantes

O marco para mudança do entendimento e abordagem do tabagismo deu-se por meio da sua classificação, pela Organização Mundial de Saúde, em 1992, como transtorno mental e comportamental. A partir dessa nova classificação, aspectos psíquicos e medicamentosos passaram a fazer parte da terapêutica, objetivando a abstinência e sua manutenção. Na atualidade, o tratamento do tabagismo é calcado na associação da abordagem cognitivo-comportamental com a utilização de antidepressivo combinado ou não à reposição de nicotina.

Tanto a terapia medicamentosa como a reposição nicotínica – independente da forma de apresentação adesivo, spray nasal, tablete sublingual ou chiclete – são consideradas eficazes e bem toleradas pelos pacientes. Entre os antidepressivos utilizados para o tratamento destaca-se a bupropiona, cuja utilização aumenta em duas vezes a chance de parar de fumar. Esta possibilidade torna-se ainda maior ao se associar este tratamento à terapia de reposição nicotínica.

O artigo publicado pelo Jornal Brasileiro de Pneumologia, em 2006, objetivou avaliar o perfil dos indivíduos que procuraram o Ambulatório de Apoio ao Tabagista do Hospital de Messejana – Ceará, e os fatores associados ao sucesso do tratamento no período de outubro de 2002 a abril de 2005.

O tratamento foi avaliado considerando o perfil do tabagista, tipo de medicação e período de utilização da mesma. A coleta de dados deu-se por meio de etapas: triagem; aplicação de um questionário para se avaliar os perfis tabágico, aspectos psicológicos, presença de co-morbidades; avaliação do grau de dependência da nicotina por meio do teste de Fagerstrom – ; motivação e preparação para a tarefa de parar de fumar; avaliação radiológica – radiograma de tórax ou tomografia computadorizada, quando necessário; e espirometria – teste que permite aferir o fluxo de ar nas vias aéreas ou brônquios.

Os resultados explicitaram que do total de 320 pacientes atendidos, 65,6% eram mulheres e que a média de idade era de 48 anos. O tempo médio de uso do tabaco foi de 33 anos, e mais de 90% dos fumantes relataram ter começado a fumar durante a adolescência. Acima de 50% dos entrevistados fumavam mais de 20 cigarros por dia e tiveram mais de uma tentativa frustrada de cessar o hábito.

Dos pacientes que se encontravam no programa por ao menos um ano (total de 258 pessoas), 50,8% atingiram o sucesso terapêutico, 17,8% recaíram e 31,4% não pararam de fumar. O sucesso parcial foi atingido, em média, na quinta semana do tratamento e a recaída foi predominante no quarto mês. Aproximadamente 60% dos pacientes utilizaram terapia medicamentosa com bupropiona.

Os pesquisadores concluíram que a chance de parar de fumar foi substancialmente relacionada ao uso de medicação, independentemente do perfil tabágico determinado. Ressaltaram que no segundo ano do programa, foi observada uma elevação da taxa de sucesso e tendência à redução da recaída decorrente da associação da bupropiona à reposição nicotínica.
Autor: SALES, M. P. U.; FIGUEIREDO, M. R. F.; OLIVEIRA, M. I. et al.
Fonte: OBID