Adolescência, uso de drogas e comportamento de risco

A adolescência é um processo de transição que inclui conflitos que freqüentemente deixam o jovem confuso, com sentimentos opostos, que acabam influenciando seu comportamento. Assim, alguns comportamentos de risco, como a violência, a formação de grupos e gangues e o uso de drogas estão relacionados a esses sentimentos.

Vários fatores estão associados ao uso, abuso ou dependência de drogas, alguns deles parecem exercer uma influência mais importante, dentre os quais a influência do grupo social (amigos e família), aprovação social, ansiedade, depressão, conflitos e problemas familiares e a atração por correr riscos.

O presente artigo publicado pela revista Interação em Psicologia relatou alguns achados de um levantamento sobre o uso de drogas feito com 196 adolescentes que cometeram atos infracionais e registraram ingresso no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator, Projeto Justiça Instantânea.

No estudo constatou-se que há prevalência do uso de drogas entre os adolescentes infratores, sendo que 61% dos jovens já fez uso de algum tipo de droga. Desses, 57% relataram ter usado drogas ilícitas. A maconha foi a mais mencionada. Em 30% dos casos, os adolescentes referiram usar mais de um tipo de droga, sendo que 17% desses disseram ter utilizado também álcool e tabaco.

Os dados mostram que o uso de drogas, sobretudo as ilícitas, estava associado a atos infracionais. É importante ressaltar que a maioria dos adolescentes infratores usuários de drogas que foram pesquisados não freqüentava a escola, 42%. Este é um fator de risco e contribui no processo de exclusão social dos adolescentes, levando-os a situações de indigência e a outras estratégias próprias de sobrevivência.

As ocorrências infracionais mais praticadas foram o porte e tráfico de drogas, seguidas dos delitos contra o patrimônio, geralmente praticados com maior freqüência no turno da tarde e na companhia de outros adolescentes. O estudo também revelou que entre os 120 adolescentes usuários de drogas apenas 22% havia freqüentado algum programa de tratamento relativo ao consumo de drogas; outros 22% nunca haviam se submetido e para 56% não constava qualquer informação registrada. Ainda, 52% deles já contavam com registro de outras práticas infracionais.

É importante que os profissionais de saúde e justiça lembrem que o uso de drogas é associado a situações prazerosas e, portanto, uma abordagem moralista ou somente repressiva não resolverá a questão. É necessário programas de tratamento e orientação para o adolescente com a participação da família, da escola e da comunidade.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Interação em Psicologia, 2004, vol.8 (2): pág. 191-198. Editado pela Universidade Federal do Paraná Pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação. ISSN: 1516-1854.
Autor: ROCHA, S. M.
Fonte: OBID