O Alcoolismo Feminino

O número de mulheres com problemas associados ao consumo de álcool vem crescendo nas últimas décadas. Este fenômeno tem suscitado discussões e estudos que visam compreender melhor as especificidades do alcoolismo feminino, bem como melhorar os serviços de atenção a esse tipo de problema. No artigo “Alcoolismo feminino: um estudo de suas peculiaridades”, publicado pelo Jornal Brasileiro de Psiquiatria, em 2006, a psicóloga do Instituto Philippe Pinel, Beatriz Aceti Lenz César, apresentou os resultados parciais de um estudo qualitativo realizado com mulheres alcoolistas. Também, buscou discutir as peculiaridades do alcoolismo feminino e suas implicações para os serviços especializados.

O estudo foi realizado na Unidade de Tratamento de Alcoolistas do Instituto Philippe Pinel – UTA/IPP no Rio de Janeiro. Trata-se de um programa especializado nos problemas decorrentes do uso abusivo de bebidas alcoólicas. Os pacientes são triados e indicados para a desintoxicação podendo ir diretamente para tratamento ambulatorial. Nesse último caso, há psicoterapia individual, em grupo, terapia medicamentosa, grupos de família, grupos operativos – técnica de trabalho cujo objetivo é promover um processo de aprendizagem -, hospital-dia e o grupo de mulheres.

A população analisada foi composta por nove mulheres, com idades entre 40 e 52 anos, que participavam do programa por ao menos um ano. O grupo de mulheres foi criado em 2001, com o propósito de promover mudanças nas ações de saúde que envolvessem a terapêutica de mulheres alcoolistas. A coleta de dados deu-se por meio de entrevistas semi-estruturadas, individuais e gravadas.

Os resultados explicitaram que em relação ao local onde bebem, 90% relatou beber em locais privados e diferenciaram esse comportamento do beber em ambiente público. Em 70% dos casos houve o registro de algum tipo de violência na infância e/ou adolescência por parte de parente próximo. Desses 70%, duas começaram a beber na infância; três, na adolescência e uma, na idade adulta. Das nove participantes cinco tinham parceiros alcoolistas e 40% declararam ter controle sobre o uso de álcool, geralmente associado ao período de gravidez e amamentação.

A autora concluiu que houve uma maior adesão ao tratamento após a criação de um espaço de tratamento diferenciado para mulheres; que é de suma importância compreender as especificidades que norteiam o comportamento do beber feminino e ressaltou que nesse contexto é necessário que ocorram mudanças nas ações de saúde para que as mulheres alcoolistas sejam assistidas levando-se em conta suas peculiaridades.

TÍTULO: Alcoolismo feminino: um estudo de suas peculiaridades
Resultados preliminares

AUTORES: CESAR, B. A. L.
Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pelo Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, 55(3) 208-211. Editado pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ
Fonte:OBID