O consumo de crack, o comportamento sexual de risco e o HIV

Desde a década de 80 se estuda a associação entre o consumo de cocaína injetável e o risco para contaminação pelo vírus HIV (Vírus da Imunodeficiência humana). Com a crescente incidência do uso de crack a partir de meados dos anos 80, estudos começaram a ser realizados evidenciando, também, a severidade dos riscos associados ao consumo desta substância, tais como as altas taxas de criminalidade, violência e comportamentos sexuais de risco – ou seja, grande número de parceiros, uso esporádico de preservativos, prostituição e troca de sexo por drogas.

O artigo publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria, em 2007, comparou uma amostra de usuários de cocaína injetável – UCI e usuários de crack – UC avaliando o comportamento sexual, o risco para contaminação pelo HIV e sua soroprevalência para essa amostra.

A população de estudo foi composta por 109 usuários de cocaína injetável e 132 usuários de crack vindos de quatro instituições de tratamento para dependência de droga da cidade de Campinas, São Paulo. A seleção foi feita a partir dos seguintes critérios: indivíduos alfabetizados, maiores de 16 anos e que usaram cocaína injetável ou crack nos últimos 12 meses anteriores a pesquisa.

A coleta de dados deu-se por meio da utilização de uma adaptação do questionário da Organização Mundial de Saúde para o “Estudo Multicêntrico de Comportamentos e Soroprevalência de HIV entre Usuários de Droga Injetável” e pela sorologia para o HIV – aplicado individualmente. .

Os resultados explicitaram que os usuários de crack, comparados aos usuários de cocaína injetável, apresentaram menor tempo gasto no consumo de drogas. Apesar disso, tiveram maiores taxas de atividade sexual de risco, consumo de múltiplas drogas e de problemas com a justiça. A soroprevalência do HIV entre os usuários de crack foi de 7%, considerada elevada quando comparada à população geral nesta faixa etária. Entre as pessoas que fizeram uso de cocaína injetável este índice chegou a 33%.

A pesquisa concluiu que o comportamento sexual dos usuários de crack pode ser considerado fator de risco para a contaminação pelo HIV, e que mesmo tendo acesso a informações sobre HIV/AIDS, estas não são utilizadas para modificar comportamentos de risco. Enfatiza-se que se faz imperativa a criação de estratégias que previnam a contaminação e disseminação do HIV especificamente direcionadas a esta população.

TÍTULO: Usuários de crack, comportamento sexual e risco de infecção pelo HIV.

AUTORES: AZEVEDO, R. C. S.; BOTEGA, N. J.; GUIMARÃES, L. A. M.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, In press, 2007. Editado pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). ISSN 1516-4446.
Fonte:OBID