Para parar de fumar basta querer

A batalha contra o cigarro é mais difícil do que se imagina “Precisei sentir que estava realmente dependente para admitir que precisava de ajuda.” Com esta frase a fonoaudióloga Maria do Perpétuo, 41 anos, definiu “a luta diária” que tem travado com o cigarro há três anos. Ela fumou por 16 anos até resolver procurar a ajuda de um programa de abandono ao tabagismo.

“Por um ano tentei parar sozinha e não consegui. Mas com o tratamento foi muito fácil, foi além da minha expectativa”, disse a fonoaudióloga, ressaltando que “mais do que a medicação, os depoimentos do grupo de apoio e as orientações sobre a doença foi o que mais me ajudou no abandono da dependência.”

A empresária Silvia Cescato, 45, fumou por 30 longos anos. Há dois anos e cinco meses conseguiu abandonar a dependência graças a um tratamento. “Sempre achei que fosse morrer fumando.” Hoje, ela tem fôlego de sobra para as caminhadas diárias e adora a “sensação de limpeza” que a vida sem cigarro traz. “Já fiz tanta coisa depois que parei de fumar. A gente se dá mais atenção, mais valor”, assinalou.

Para a empresária Maria de Lurdes de Souza, que fumou por duas décadas, foi o apelo do filho de 10 anos que a motivou a desistir do cigarro, que ela largou há um ano e cinco meses. “Ele ameaçou se jogar da sacada se eu não parasse. Foi quando percebi que tinha alguma coisa errada.”

Juliana C. Alho da Silva, 33, está sem fumar há quase dois anos e às vezes se esquece de que um dia foi fumante. “É algo que está tão longe da minha realidade que eu nem me imagino acendendo um cigarro”, contou.

Apesar dos depoimentos otimistas, a batalha contra o cigarro é mais difícil do que se imagina. É o que asseguram a dentista Andrea Carraro Oliveira Badin e a fisioterapeuta Ana Luiza Oliveira Prado Souza, coordenadoras do Viva Livre – Programa de Abandono do Tabagismo, oferecido pelo Hospital do Coração de Londrina.

“Primeiro é preciso querer abandonar o cigarro. Depois é feita uma avaliação e a pessoa passa por uma terapia comportamental e medicamentosa que dura, em média, um ano”, explicou Andrea. “O fumante abandona o cigarro nos dois primeiros meses, com auxílio de medicação, e faz a manutenção no restante dos meses, até completar um ano”, completou Ana Luiza.

A manutenção, segundo as coordenadoras, consiste em ouvir os depoimentos de outros ex-fumantes que fazem parte dos grupos de apoio do programa. “É uma etapa muito importante, pois muitos se identificam com a história do outro e se dispõem a participar do grupo para não abandonar o amigo”, disse Ana Luiza.

“Os grupos são formados por pessoas em diferentes estágios de abstinência, por isso as experiências são tão ricas”, complementou Andrea, ressaltando que com dois meses de tratamento, o fumante está curado. “Se ele voltar a fumar será por opção própria porque ele está tratado e não haverá nenhuma situação incontrolável na vida dele que justifique a busca do cigarro como válvula de escape.”

Opinião unânime entre todas as ex-fumantes é que só se cura quem realmente quer. “O difícil é tomar a decisão de procurar ajuda”, avisou Maria do Perpétuo.

Serviço – Mais informações sobre o Viva Livre – Programa de Abandono do Tabagismo pelo telefone (0xx43) 3345-1921.
Fonte: Folha de Londrina- PR