Corrida pelo etanol estimula o uso de drogas

Documento expedido pelo Ministério Público do Trabalho, aponta que em Cuiabá trabalhadores estão usando crack, pílulas e maconha para cumprir longas jornadas nos canaviais. Como conseqüência, está previsto para o dia 28/05, um protesto. O Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Escravo irá entregar um manifesto ao Governador Blairo Maggi, que há 1 ano, tem nas mãos o plano estadual mas não homologou ainda.

As jornadas exaustivas nos canaviais provocam envelhecimento precoce, problemas graves de coluna, sangramentos nasais devido à exposição intensa ao sol, vômito, dor de cabeça, câncer, alergias, entre outros males. Com o agravamento de que, nestes ambientes, o acesso a médico é luxo impensável.

Segundo Inácio José Werner, do Centro Burnier Fé e Justiça, para o corpo suportar essas jornadas intensas, as anfetaminas são usuais nas lavouras, principalmente fora do Estado.

O professor Bertoline alerta que a corrida pelo etanol está gerando uma “cegueira” em nome do lucro desconsiderando os direitos humanos, e a omitindo impactos ambientais. Os dois enfoques, no entanto, têm tanta repercussão internacional quanto à crise do combustível.

O MPT e o Centro Burnier Fé e Vida admitem, no entanto, que algumas usinas estão se adequando e que o objetivo é mudar este cenário de dor, às custas do qual o Brasil oferece este álcool barato e de qualidade. Até mesmo porque, para que Mato Grosso seja aceito no mercado internacional do álcool, deverá cumprir normas quanto às exigências ambientais e a legalização da mão-de-obra. Em outubro de 2006 , uma audiência pública tratou do assunto.
Fonte: Diário de Cuiabá