Consumo de drogas entre estudantes universitários

O consumo de drogas entre estudantes universitários tornou-se motivo de preocupação constante e tema de diversos estudos. As substâncias mais utilizadas por esses jovens são o álcool, tabaco e drogas ilícitas como a maconha, cocaína e solventes. A maioria dos estudos acerca do tema evidencia a importância dos fatores sócio-demográficos, como idade, sexo e classe social (Carlini-Cotrin et al, 2000); e fatores psicossociais, como a influência dos amigos e as relações interpessoais dentro da família, no desenvolvimento e tratamento desse problema (Baus et al, 2002). Esses estudos permitem que políticas públicas sejam configuradas e estruturadas de maneira adequada e eficaz.

Artigo publicado pelo Informativo Profissional do Conselho Federal de Farmácia – INFARMA, em 2006, teve como objetivo conhecer os padrões de comportamentos relacionados ao uso de drogas ilícitas, álcool e cigarro entre os estudantes de farmácia. Verificou-se os efeitos da legislação sobre vários tipos de substâncias usadas e também constatou as mudanças, no âmbito social, do uso de drogas e nos padrões de uso combinado entre os jovens.

A população de estudo foi composta por 134 estudantes de farmácia da Universidade Federal de Goiás, com idades entre 21 e 25 anos. A coleta de dados deu-se por meio da aplicação, coletiva e em sala de aula, de um questionário fechado, de autopreenchimento e anônimo, que possibilitou identificar os dados sócio-demográficos, o ambiente psicossocial, o padrão de uso não-médico, uso injetável de drogas ilícitas e questões sobre álcool e tabaco. Os mesmos foram adaptados de quetionários utilizados, no Brasil, por Carlini-Cotrim et al em 1989 e Kerr-Corrêa et al em 1999.

Os resultados revelaram que 90,3% dos estudantes avaliados já haviam experimentado álcool. Entre as mulheres esta taxa alcançou 94%; sendo que 48,8% costumavam beber com amigos, 27,4% nas suas próprias casas e 22,6% com familiares. Entre os homens, 89,6% fizeram uso na vida de álcool, 41,7% com amigos, 20,8% em bares, boates e festas familiares. Em relação ao cigarro, 60,4% dos estudantes nunca usaram. 23,9% só experimentaram, 11,9% fazem uso esporádico e 3,7% é usuário freqüente de tabaco.

Quanto à percepção do comportamento de risco, 53,8% consideraram que consumir bebidas alcoólicas não representa perigo algum; assim como, o uso de maconha (47,8%) e tabaco (48,5%). As substâncias consideradas como consumo de risco foram os solventes com 44,7%, os anorexígenos com 43,2%, os tranqüilizantes (44,7%), o uso de crack (52,3%), seguido pelo de cocaína em pó com 51,5%.

Os autores concluíram que as drogas mais utilizadas pela amostra estudada são o álcool e tabaco, e em menor freqüência, a maconha. O estudo mostra que a questão do uso e abuso de drogas necessita da participação de todo o corpo docente das faculdades, e sua abordagem pode ser feita por interdisciplinaridade ou como disciplina isolada. É fundamental que se compreenda os fatores envolvidos na resposta e na adaptação ao estresse intrínseco a graduação com o intuito de ajudar na prevenção do uso de drogas pelos futuros farmacêuticos, além da promoção de campanhas educativas e preventivas.

O estudo sugere que normas e regras bem delineadas, o oferecimento e encorajamento de atividades recreativas e de relaxamento – que não incluam substâncias alteradoras da consciência, um bom programa de professores -tutores instruídos e treinados para detectar problemas dessa ordem,, são medidas profícuas na melhoria dessa situação.

TÍTULO: Uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas por estudantes de farmácia da Universidade Federal de Goiás.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pelo Informativo Profissional do Conselho Federal de Farmácia – INFARMA, São Paulo, 18(11/12): 03-09, 2006. ISSN: 0104-0219. Editada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF)
Autor: PRADO, D. S.; AZEREDO, F. S.; OLIVEIRA, T. B.; GARROTE, C. F. D.
Fonte: OBID