SP tem 5 regiões onde consumo de álcool entre motoristas é maior

Não é a sexta-feira 13 que aumenta os acidentes em São Paulo. A cidade, famosa pela agitação de bares e casas noturnas, tem na região das principais baladas diversão e perigo ao mesmo tempo. São pelo menos cinco pontos onde o consumo de álcool entre os motoristas chega a dez vezes mais do que a média mundial. Nos bairros da Parada Inglesa/Santana, zona norte, Vila Madalena/Pinheiros e Itaim Bibi, zona oeste, Tatuapé, zona leste, e Interlagos/Socorro, zona sul, cerca de 28% dos condutores dirigem alcoolizados.

O número é de uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo e do Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool de São Paulo – Comuda. Ao todo, foram abordados 2.520 motoristas, mas apenas 1.901 participaram de todas as etapas da pesquisa, feita durante ações educativas que aconteceram entre o fim de 2006 e o começo de 2007.

“Para fazer a pesquisa, escolhemos os locais onde há maior incidência de acidentes com vítimas na capital e, ao mesmo tempo, grande concentração de casas noturnas e bares”, diz Luiz Alberto Chaves de Oliveira, Presidente do Comuda.

Nos bairros das baladas, os pontos mais críticos são as avenidas Luís Dumont Villares, Robert Kennedy, Brigadeiro Faria Lima, Juscelino Kubitschek e a região da Praça Silvio Romero, onde jovens dirigem em alta velocidade, mesmo com a presença de radares, e desrespeitam semáforos fechados.

De acordo com Oliveira, metade dos acidentes automobilísticos com vítima na capital são causados pelo consumo de álcool. Dos motoristas que participaram de duas etapas do estudo – questionário e bafômetro – 20% tinham níveis de alcoolemia superiores a 0,06 grama por decilitro de sangue, nível máximo permitido pelo Código Nacional de Trânsito. Outros 7,8% tinham níveis entre 0,01 e 0,05 g/dl de sangue.

“Há também risco nesse grupo de 7,8%, pois o efeito do álcool varia de pessoa para pessoa. Entre 0,01 g/dl e 0,03 g/dl, algumas pessoas têm campo visual restrito e comprometimento da noção de distância e velocidade”, ressalta Luiz Alberto.

A média internacional de alcoolemia varia entre 2% e 4% entre motoristas. Nos cinco pontos mais críticos da capital, mais da metade dos motoristas com alguma quantidade de álcool no sangue era do sexo masculino, solteiro e tinha entre 18 e 30 anos.

“O jovem, hoje em dia, bebe mais e com mais freqüência do que as gerações anteriores. Isso se dá porque é muito mais fácil comprar bebida e drogas nos dias atuais do que antigamente. E também por influência dos pais, que bebem mais hoje em dia”, disse a Psicóloga Silvia Martani, em entrevista recente à Rádio CBN.

Na opinião de Luiz Alberto Chaves Oliveira, o jovem dessa faixa etária é mais ousado e onipotente, principalmente quando não tem responsabilidade de casamento e filhos. De acordo com ele, o Comuda pretende sensibilizar os Governantes e Legisladores com essa pesquisa.

O Conselho sugere, entre vários pontos, que mais abordagens sejam feitas pela Polícia Militar com o intuito de coibir esse abuso ao volante. No entanto, a falta de locais para guardar carros apreendidos em pátios da PM, por exemplo, impede que essa fiscalização seja mais severa e contínua.
Autor: O Globo
Fonte: OBID