Organização Mundial de Saúde declara que fumar é ´doença´

Fumar não é apenas mais um “hábito”, como ainda pensa a maioria. A Organização Mundial de Saúde – OMS recentemente declarou que fumar é uma doença. E o cerco se fecha cada vez mais contra os fumantes. Um tratado internacional assinado por 168 Países propõe uma série de ações para reduzir o tabagismo. O resultado é mais qualidade de vida para a população e menos gastos para os cofres públicos e particulares, uma vez que a nicotina traz uma dezena de problemas à saúde. Uma das maiores preocupações em relação ao tabagismo refere-se aos jovens. No Brasil, 25% da população são fumantes, hábito que se inicia, em 90% dos casos, no período entre 5 e 19 anos, resultando em mais de 2,5 milhões de crianças e jovens dependentes de nicotina.

O tratamento de doenças causadas pelo hábito de fumar custa mais de 200 bilhões de dólares para os cofres públicos em todo o mundo. Só no Brasil, o tabaco faz anualmente 200 mil vítimas. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer – Inca, o fumo é o causador principal de mais de 50 tipos de doenças, entre elas, os problemas cardiovasculares, respiratórios e o câncer. As estatísticas demonstram que 45% das mortes por infarto do miocárdio, 85% das mortes por enfisema pulmonar, 25% das mortes por derrames e 30% das mortes por câncer podem ser atribuídas ao cigarro. Outro dado alarmante: 90% dos casos de câncer do pulmão têm correlação com o tabagismo. Segundo o Cardiologista César Jardim, do Hospital do Coração, de São Paulo, a pessoa que fuma corre três vezes mais riscos de desenvolver doenças do coração que aquela que não possui esse hábito.

Cresce também a incidência de morte a partir de doenças crônico-degenerativas como diabetes e hipertensão. Uma pesquisa feita com 500 pacientes pelo setor de Psicologia do Hospital do Coração mostra que pessoas que já possuem alguma doença decorrente do fumo têm mais dificuldade em abandonar a dependência. “Cerca de 80% deles desistem do tratamento. As mulheres possuem ainda mais resistência devido ao medo de engordar”, diz Silvia Cury, Chefe do Setor de Psicologia. O Cardiologista César Jardim explica que a nicotina presente no cigarro causa dependência química e libera substâncias que aumentam a freqüência cardíaca e a pressão arterial. Além disso, contribui para a formação de coágulos sangüíneos no organismo.

Outro problema que decorre da queima do papel e do próprio fumo é a liberação de monóxido de carbono, que associado aos glóbulos vermelhos, diminui em 15% a 20% a quantidade de oxigênio, prejudicando o fornecimento do gás nos órgãos. Essas alterações se tornam ainda mais complicadas quando somadas à dieta dos fumantes, que é mais rica em calorias, álcool e gordura saturada”, destaca o Cardiologista. Na pesquisa feita por Silvia Cury foi identificado que a dependência química é um dos empecilhos ao tratamento, mas não é o principal. Os motivos de ordem emocional, como estresse, nervosismo e ansiedade são os responsáveis pela desistência do tratamento. Não faltam histórias de ex-fumantes que pararam de fumar, ficaram meses a fio sem colocar um cigarro sequer na boca, mas que, de uma hora para a outra, voltaram à dependência química com força total.
Fonte: Diario Web