Propagandas de cerveja violam regras do Conselho Nacional da Auto-Regulamentação Publicitária

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp aponta que, para o público adolescente, as propagandas de cerveja violam grande parte das regras do Código Brasileiro de Auto-regulamentação publicitária do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária – Conar. Para eles, das 16 regras incluídas no estudo, 12 foram desrespeitadas. Entre elas, a de “não utilizar imagens, linguagem ou idéia que sugiram, ser o consumo do produto, sinal de maturidade ou que contribua para o êxito profissional, social ou sexual”.

De um total de 32 propagandas de cerveja e bebidas Ice, veiculadas na televisão no verão de 2005/2006 e durante a Copa do Mundo de futebol da Alemanha, foram selecionadas as cinco de cervejas mais populares entre os adolescentes.

Após assistirem as cinco propagandas, 282 estudantes do ensino médio, com idades entre 14 e 17 anos, responderam um questionário construído pelos pesquisadores com base nas regras do código nacional do Conar, que disciplinam o conteúdo das propagandas veiculadas no País. As respostas indicavam a ocorrência de violação ou não das regras, sem que os adolescentes soubessem que estavam julgando de acordo com as normas
instituídas pelo código.

Os resultados da pesquisa chamam atenção no que se referem às regras destinadas a proteger crianças e adolescentes. Das cinco propagandas avaliadas, quatro desrespeitaram essas normas específicas para os jovens.

São elas: “evitar a exploração do erotismo” e de “não usar linguagem, recursos gráficos e audiovisuais pertencentes ao universo infantil”.

A idade mínima para a utilização de personagens e contratação de atores para esse tipo de comercial é de 25 anos, mas, na análise dos adolescentes, em 3 propagandas a idade estava abaixo do permitido. “Isso mostra que a grande maioria dos adolescentes considerou que os atores participantes tinham menos do que 25 anos”, explica Ilana Pinsky pesquisadora da Unidade de Álcool e Drogas Uniad da Unifesp e uma das Coordenadoras do estudo
que será apresentado em dois grandes eventos mundiais sobre políticas públicas do álcool.

As regras que proíbem as propagandas de incentivar o consumo abusivo e irresponsável de álcool também foram significativamente violadas, de acordo com eles. As mais desrespeitadas, que merecem destaque, foram: “não devem dar a impressão de que o produto está sendo recomendado ou sugerido em razão de seus efeitos sobre os sentidos” e “não utilizarão imagens, linguagem ou idéia que sugiram, ser o consumo do produto, sinal de maturidade ou que contribua para o êxito profissional, social ou sexual”.

A regra que foi julgada transgredida por quase unanimidade dos adolescentes foi a que proíbe as propagandas de conter cena, ilustração, áudio ou vídeo que mostre a ingestão, moderada ou não, do produto. Em uma das cinco propagandas avaliadas, 97,5% dos estudantes responderam que houve violação.

Sem fiscalização efetiva, auto-regulamentação tem sua eficácia normativa
Autor: Universidade Federal de São Paulo
Fonte: OBID