´Com as drogas, o jovem perde sua liberdade e vira escravo´

Feliz com o trabalho desenvolvido em Santos – SP, o Secretario Nacional Antidrogas, General Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa elogiou os esforços da Prefeitura e do Conselho Municipal Antidrogas – Comad. Em entrevista, ele falou sobre o trabalho da Secretaria Nacional Antidrogas – Senad, as ferramentas de prevenção e as medidas que visam diminuir o consumo das drogas ilícitas e lícitas, como o álcool.

Como surgiu a Secretaria Nacional Antidrogas?
Até 1998, o Brasil não tinha uma política sobre drogas. Em junho daquele ano, a Organização das Nações Unidas – ONU realizou uma assembléia geral, na qual ocorreu uma reunião especial para tratar do assunto. Nessa sessão, o País aderiu a três declarações importantes: uma sobre redução da demanda de drogas em todo o mundo, outra sobre medidas políticas e ainda uma que falava sobre o narcotráfico. Foi aí que nos comprometemos a ter uma postura nacional antidrogas e, como conseqüência, um órgão central para tratar desse problema. Já no Governo Lula, em 2004, aconteceu um realinhamento, que trouxe políticas atualizadas em perfeito acordo com a Constituição e com as Leis brasileiras e internacionais.

Quais são as ferramentas utilizadas pela Secretaria para combater o problema?
Nós trabalhamos em três eixos principais. O primeiro é o diagnóstico, ou seja, é preciso identificar os problemas com pesquisas que levantam o perfil do consumo de drogas e também as características epidemiológicas. Há ainda o eixo da capacitação, no qual temos abordado lideranças nas áreas de educação, saúde, nas empresas e conselhos comunitários. Por fim, temos o eixo estratégico, que inclui ações como o Viva Voz – 0800 510 0051 -, que busca a prevenção e o tratamento de dependentes químicos. Trata-se de um serviço gratuito e anônimo que oferece orientação por telefone para todo o Brasil.

Há alguma droga ‘‘na moda’’ no Brasil?
O que nos preocupa muito é a chegada das drogas sintéticas, principalmente o êxtase. Elas são produzidas nos países desenvolvidos e o consumo aqui está mais freqüente. Isso nos estimula a investir cada vez mais na informação, para que os jovens estejam aptos a dizer não com responsabilidade e maturidade.

As Leis estão cada vez mais rígidas em relação às drogas lícitas, como álcool e tabaco. O consumo está diminuindo?
Entre as sete drogas mais consumidas no Brasil, seis são legais. Nós somos o líder mundial no uso de solvente. Não podemos dizer que está diminuindo, mas o ritmo de crescimento é bem menor do que em outros países.

Qual o papel da sociedade na redução da demanda de drogas?

Sua função não é na área da repressão, mas sim da prevenção e do tratamento. A participação tem sido boa, mas o Governo precisa ainda proporcionar melhores condições para que a sociedade possa se articular. Cabe aos Governos, em nível federal, estadual e municipal, tomar decisões favoráveis e apoiar seu conselho para que ele dê bons resultados. É a chamada responsabilidade compartilhada entre Governo e sociedade.

A Secretaria tem alguma atribuição relacionada ao narcotráfico?
Sim. Temos duas áreas de atuação: somos responsáveis pela redução da demanda e da oferta. No entanto, a responsabilidade pela coordenação das ações de diminuição da oferta é da Polícia Federal.

Qual a importância dos conselhos municipais nessa estrutura?
São eles que coordenam a articulação entre as diversas secretarias em benefício da ação central do município, porque a droga tem a ver com todas as áreas, de saúde a segurança pública.

Qual o alerta para os jovens em relação às drogas?
Costumamos aconselhar que o jovem não se iluda com o ‘‘barato’’ inicial das drogas. É muito fácil para o traficante seduzir o outro e minimizar os danos que ela faz. Mas, de repente, o que era uma aventura, um prazer, passa a ser o centro da sua vida. Ele perde sua liberdade e vira um escravo. Aí, vai ser muito difícil de sair e ele causará um sofrimento enorme para sua família, seus amigos e sua comunidade.

E os pais, como devem falar sobre o tema com seus filhos?
Recomendo que não espere os primeiros sintomas para tratar do assunto. Não tenham receio de buscar informações e inserir a temática em casa, inclusive sobre as drogas lícitas. É preciso que eles dêem o exemplo também. Se possível, os pais devem conversar mesmo antes de conceber a criança, pois existem pesquisas que apontam a existência da Síndrome Alcoólica Fetal. Ou seja, os hábitos dos pais serão, invariavelmente, transmitidos aos filhos.
Autor: A tribuna Digital – SP
Fonte: OBID