Cigarro provoca infertilidade

É inquestionável que o tabaco faz mal à saúde como um todo. Porém, além dos efeitos nocivos do cigarro relacionados às doenças cardíacas e respiratórias que são bastante conhecidos temos uma outra causa que pouca gente conhece, ele agrava problemas de fertilidade tanto nas mulheres como nos homens. Vários estudos científicos comprovam seu efeito deletério sobre a saúde reprodutiva. Tais efeitos podem determinar um risco aumentado de abortamento, de ter filho prematuro e de baixo peso, aceleração do início da menopausa, redução da fertilidade e diminuição na qualidade dos espermatozóides. Fumantes passivos com exposição excessiva ao cigarro também têm maior incidência de todas as alterações descritas acima.

O alerta é do Especialista em infertilidade e Diretor do Centro de Estudos do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução – IPGO, Arnaldo Schizzi Cambiaghi. “Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que as pessoas associam os riscos do cigarro mais às doenças respiratórias – 99%, ao câncer de pulmão – 99% e aos ataques do coração – 96%, do que aos problemas de fertilidade”, diz o Médico.

A situação não é diferente no Brasil. Os casais brasileiros enfrentam problemas para ter filhos e seguem fumando, agravando ainda mais a situação. Substâncias químicas presentes na fumaça do cigarro podem acelerar a perda natural dos folículos ovarianos levando, conseqüentemente, à perda da função reprodutiva. Adicionalmente, lesões cromossômicas ou do DNA das células germinativas humanas – óvulos e espermatozóides, podem resultar da exposição à fumaça do tabaco. Nos homens, o cigarro reduz a concentração de espermatozóides, diminui a movimentação e provoca alterações na sua estrutura, que podem favorecer ao aborto por induzir a má-formação fetal.

Estudos sugerem que pacientes que fumam requerem quase o dobro do número de ciclos de fertilização in vitro para conseguirem a gestação do que aquelas que não fumam. “Casais que apresentam problemas de fertilidade e que um dos dois fuma – ou ambos – devem informar isso ao médico”, alerta Cambiaghi. “Portanto é preciso que estas pessoas busquem ajuda de um profissional e dos avanços da medicina para largar a dependência – já que hoje existem terapias bastante eficazes para tal. Entre elas, a terapia de reposição de nicotina – goma de mascar, adesivos cutâneos, spray nasal” completa.
Fonte: SEGS-OBID