Fuma mais quem estuda menos

A educação previne enfarte, muitos tipos de câncer, pressão alta e até impotência sexual. Uma pesquisa realizada pelo Inquérito de Saúde da Capital – Isa, mostra que quem estudou até a 8ª série do ensino fundamental tem cinco vezes mais chances de tornar-se um consumidor de cigarro do que aqueles que fizeram faculdade.

Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, com base nos dois milhões de fumantes regulares que residem na cidade. A parcela que estudou apenas oito anos concentra 57,4% do total de pessoas que têm o hábito de fumar. Entre aqueles que freqüentam o ensino superior e passaram dos 13 anos de estudo, o índice cai para 11,5%.

A pesquisa foi divulgada na véspera do Dia Internacional sem Tabaco – 31/05. Para a Coordenadora do Programa Municipal de Tabagismo, Darlene Dias, são as próprias características sociais de quem teve pouco acesso à escola que explicam a relação entre fumo e escolaridade. “O consumo de tabaco propicia uma sensação muito prazerosa. As pessoas de baixa renda, com maior dificuldade de acesso à educação, têm pouca ou quase nenhuma atividade de lazer”, afirma. “O cigarro funciona como uma válvula de escape para quem convive com tantas privações.”

Pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC, realizada com 2.010 brasileiros, mostra que em média os fumantes acendem 14 cigarros por dia. “Não há quantidade segura para não correr os riscos do cigarro. Esse número pode variar, mas, no geral, não é muito menor do que os 14 diários”, afirmou Paula Johns, Diretora do controle de tabagismo da SBC .

As tragadas são a porta de entrada de para uma série de doenças, responsáveis pela morte de 200 mil brasileiros por ano. A dona de casa Joseli Aparecida Barcellos, 53 anos, estudou até o fim do ensino médio e desde os 18 tem como companheiro o cigarro. Os dois maços diários resultaram em um enfarte há dois meses. Nem isso foi capaz de barrar a dependência. “Diminuí mas ainda fumo 10 cigarros por dia”, confessou.

Este ano, o foco da campanha contra o cigarro do Instituto Nacional do Câncer – Inca não são apenas as pessoas como Joseli. “Há uma preocupação forte com o fumante passivo. Ainda que não fume, a fumaça do cigarro inalada tem 50 vezes mais nicotina. É até mais prejudicial”, diz Vera Colombo, da divisão antitabaco do Inca.

A proposta é proteger quem não fuma, mas enfrentar os males do cigarro. Por isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária apertou o cerco. Termina em 31/05 a consulta pública que, se aprovada, proíbe o fumo em ambientes fechados, como restaurantes. Pela resolução, o cigarro só pode ser consumido em salas especiais, com porta automática e saídas especiais para a fumaça.
Fonte: Jornal da Tarde – OBID