Pesquisa alerta para os riscos do álcool – SP

Uma pesquisa elaborada em 2006 pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – SP, mantida pela Universidade de São Paulo, reforça a necessidade de conscientização sobre os perigos do consumo de bebida alcoólica entre os caminhoneiros.

Dos 1.014 motoristas entrevistados nas estradas da região de Ribeirão Preto, 735 declararam serem consumidores desse tipo de bebida, sendo que 31% já sofreram acidentes de trânsito.

O levantamento foi feito nos meses de agosto e novembro de 2006 e serviu para mostrar a necessidade de se realizar mais campanhas de prevenção entre os motoristas.

Entre os entrevistados, 196 revelaram ter algum tipo de doença crônica e 189 faziam uso de algum tipo de medicação. A hipertensão arterial foi detectada em 70 motoristas e a diabetes mellitus em 33. Um total de 56 motoristas apresentou níveis de glicemia altos que poderiam levar a diabetes.

De acordo com a Professora Sandra Pillon, que orientou o trabalho realizado pela mestranda Josélia Benedita Carneiro, a combinação do consumo de bebida alcoólica com a hipertensão, em conjunto com os níveis altos de glicemia, contribui para o agravamento do quadro de saúde, que pode evoluir para o surgimento de doenças cardiovasculares. “Mesmo aqueles que consomem pouca bebida com álcool não estão imunes. A questão é preocupante porque eles não têm noção exata desse risco”.

No perfil dos entrevistados estão homens casados com baixo nível de escolaridade e idade média de 40 anos, que trabalham de 10 a 12 horas diárias em média.

Segundo a educadora, o resultado obtido em Ribeirão Preto não se diferencia de outras regiões, como a da Baixada Santista, que mantém um fluxo alto de veículos pesados no Sistema Anchieta-Imigrantes. “Esta foi a primeira vez que o uso de bebida alcoólica foi avaliado dessa forma neste segmento de usuários do sistema viário”.

Conforme salientou, a própria jornada de trabalho do caminhoneiro contribui para o sedentarismo. “A maioria não faz os exames periódicos preventivos e não é raro notar que muitos param de tomar medicamentos prescritos”.

Para ela, as concessionárias poderiam investir mais em campanhas de prevenção. “Seria uma forma desse usuário ter acesso aos exames médicos que podem detectar esses problemas”.
Fonte: A TRIBUNA DIGITAL -OBID