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Entrevista com a Profa. Isabel Kahn Marin – Violência entre os jovens

O consumo de álcool contribui para a violência entre os jovens?

Sim, contribui. O consumo de álcool pode não ser determinante nas situações de violência, mas diminui as defesas conscientes e racionais dando vasão aos impulsos e desejos. Quando se ingere álcool, há um aumento da sensação de potência, a pessoa se sente mais forte ou mais corajosa, mas isso só acontece porque na realidade existe uma impotência. A pessoa bebe para realizar coisas que ela não conseguiria realizar se estivesse sóbria. O consumo de álcool pode levar não só a práticas violentas, mas também a outras transgressões e ao desrespeito às normas de convivência.

Existem diferenças entre meninos e meninas quanto ao consumo de álcool e o conseqüente aumento de situações de risco relacionadas à violência?

Eu não tenho uma pesquisa objetiva sobre este assunto, mas acredito que haja mudanças no padrão de comportamento dos jovens. Existem pesquisas que mostram que o consumo de bebidas alcoólicas tem aumentado bastante entre meninas. No entanto, acredito que a violência entre meninos e meninas é a mesma. Não existe um padrão único de reação aos efeitos do álcool. Algumas pessoas bebem e ficam mais violentas ou agressivas, outras ficam deprimidas. Algo que influencia bastante nas reações de um indivíduo é o comportamento do grupo de pessoas com quem ele anda.

Você é professora da PUC e há muitos anos desenvolve um trabalho com jovens da FEBEM. A partir destas experiências, quais são as maiores diferenças em relação ao uso de álcool nestas duas populações relacionadas às situações de violência?

É difícil dizer. Não há diferenças, o que é diferente são as oportunidades que os jovens têm de desenvolver suas potencialidades. De um lado, existe a impunidade de jovens de classe média que são grandes consumidores de álcool e de outras drogas. Entre esses jovens os índices de violência têm aumentado bastante. Nós vemos casos recentes de violência em que jovens de classe média matam os pais, matam pessoas pobres e muitas vezes ficam impunes. Já os jovens da FEBEM, são pessoas pobres cujas oportunidades são menores. Quando estão presos, eles são inscitados a mais violência. Os jovens de classe média têm mais chances de realização.

De que maneira pais e educadores podem interferir positivamente no comportamento dos jovens?

Acredito que estando atento aos filhos e educandos. Os jovens fazem uso de bebidas alcoólicas cada vez mais cedo. É preciso que os pais estejam junto dos filhos, sempre dialogando como eles e estando atentos para ver se eles não chegam bêbados em casa com freqüência. Eles não podem ser coniventes com práticas de transgressão das leis, como dirigir sob efeito do álcool, por exemplo. Não se deve culpar o jovem, e sim estar próximo a ele, ajudando junto com a escola.
Fonte: CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool