Jovens em situação de risco são parte substancial da população brasileira

Nas áreas de saúde, emprego, educação e comportamento as piores situações ficaram com os Estados de Pernambuco e Alagoas e as melhores com Santa Catarina e Distrito Federal. O documento do Banco Mundial foi elaborado com base em 36 indicadores

Relatório do Banco Mundial divulgado hoje, 26/06, aponta que o comportamento de “risco” da juventude brasileira acarreta um prejuízo de R$ 300 bilhões a cada 40 anos ao País. O volume estimado inclui perdas públicas ligadas à violência, como prisões, e custos privados, como perda de renda.

O documento, elaborado com base em 36 indicadores – muitos deles oficiais -, conclui que “jovens em situação de risco são parte substancial da população brasileira”.

Em linhas gerais, jovens em “risco” são aqueles que se enquadram em casos de repetência e evasão escolar, uso de drogas, iniciação sexual precoce e comportamento violento. Em 25/06, representando o governo na entrevista de divulgação do documento, o Secretário Nacional de Juventude, Beto Cury, disse que, dos 50,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, 4,5 milhões podem ser considerados em estado de risco, pois estão fora da escola, desempregados e não têm o ensino fundamental.

O relatório “Jovens em Situação de Risco no Brasil”, com enfoque em jovens entre 15 e 24 anos, faz duras críticas ao sistema educacional do País. “Em relação a outros países da região, os jovens brasileiros aprendem menos em cada série, têm níveis de analfabetismo mais altos e taxas mais baixas de educação universitária”, diz o estudo.

Os jovens brasileiros, segundo o documento, estão “começando cedo demais” – antes dos 14 anos de idade – a atividade sexual, têm “dificuldade para entrar no mercado de trabalho”, “aprendem a ser violentos”, algo que “está altamente correlacionada com violência na comunidade e na família”.

Os jovens brasileiros tendem a apresentar, entre outros pontos, “falta de confiança”, “baixo nível de espiritualidade” e “sentimento de estar deslocado na escola”. O texto trata como “positivo” o conjunto de ações “agressivas” do governo federal para evitar o avanço de doenças sexualmente transmissíveis.

Em saúde, emprego, educação e comportamento as piores situações ficaram com estados do Nordeste – Pernambuco e Alagoas. Já as melhores taxas apareceram em Santa Catarina e no Distrito Federal.
Fonte: G1 -OBID