Prevenção ensina a sair das drogas

Dando continuidade às ações indicadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef, o Conselho de Entorpecentes de Mossoró, com o apoio da Prefeitura e do Banco do Brasil, o desenvolveu o projeto Viver sem Drogas. Desde janeiro de 2007, o projeto realiza atividades de prevenção de drogas com crianças e adolescentes com idade entre dez e 18 anos, atuando nas escolas e também junto às famílias das comunidades.

Mossoró foi um das 21 cidades do Rio Grande do Norte a receber em março de 2007 o Selo Município Aprovado, iniciativa do Unicef que pretende assegurar às crianças e adolescentes um espaço de cidadania e criar um modelo de município, disposto a melhorar a qualidade de vida desses jovens.

Para concorrer ao Selo, os municípios recebem indicadores voltados para três eixos, que são desenvolvimento de políticas públicas, capacidade de serviço do município e indicadores de impacto social. As atividades desenvolvidas em Mossoró foram nas áreas de gestão ambiental, participação política dos adolescentes e políticas de comunicação. Mossoró respondeu de forma positiva às imposições da entidade e recebeu o certificado de município modelo. No entanto, os consultores responsáveis pelas atividades perceberam que uma das áreas não se destacou. “Essa iniciativa do Unicef criou em todos nós uma capacidade de organização que nos fez desenvolver esse projeto de prevenção as drogas. É importante destacar isso porque a mobilização não parou depois de receber o Selo. Continuamos trabalhando para melhorar a qualidade de vida das nossas crianças e adolescentes”, afirmou Patrícia Leite, consultora do projeto Viver sem Drogas.

Consultores

Entre as ações promovidas estão os pedágios educativos, realizados na praia de Tibau do Sul, já que nessa época do ano há uma grande quantidade de jovens aproveitando as férias de verão. Com torneios de vôlei e distribuição de material educativo os consultores do projeto conseguiram chamar a atenção dos adolescentes para a importância das atividades de prevenção. Dando continuidade, também foram realizadas oficinas com professores de 19 escolas do município, na intenção de formar núcleos de prevenção. Recentemente, no mês de junho, aconteceu a Semana Municipal Antidrogas, com a abertura no auditório do Serviço Social da Indústria – SESI, painéis e audiências públicas na Câmara Municipal. As atividades têm reunido um número de 20 mil pessoas, entre professores, alunos e familiares.

De acordo com Patrícia Leite, a equipe que forma o núcleo de consultores é composta por profissionais competentes, entre eles médicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, entre outros. “Quando nós, junto ao Conselho de Narcóticos de Mossoró, fomos desenvolver esse projeto, fizemos pesquisas em nível nacional e internacional e constatamos que só existem projetos de prevenção em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Nos outros estados existem projetos na linha de tratamento e assistência. Sentimos até algumas dificuldades, pois não haviam muitos dados informativos. Por isso nos interessamos em realizar o projeto com esse foco”, afirmou Patrícia.

A Presidente do Conselho de Entorpecentes de Mossoró, Cláudia Regina, observou que entre as ações realizadas em 2006, o eixo que menos avançou foi o da prevenção. Diante desse quadro, resolveu voltar às atenções para o abuso de drogas, que atinge todo o planeta, sendo um dos problemas mais graves e democráticos, pois não escolhe cor, idade e nem classe social. “Temos trabalhando conosco hoje de forma voluntária, 22 entidades não governamentais, pois há essa necessidade de agregar parceiros, sozinhos não conseguiremos”, afirmou Cláudia, que acrescentou dizendo, “isso que fazemos não é uma campanha, é uma ação continuada. “Pretendemos formar multiplicadores para que depois eles possam se auto-manter e nós continuaremos na monitoração e na manutenção do projeto”, concluiu.

Adolescentes

O que mais chamou atenção do Conselho e dos consultores do projeto foi a adesão dos adolescentes, que estão participando ativamente e cobram resultados. “Isso é um grande laboratório e nós tínhamos medo, já que o público adolescente é rebelde e costuma não aceitar conceitos ditados”, afirmou a presidente do Conselho de Narcóticos. A intenção do projeto é construir conceitos junto aos jovens, e baseados na realidade de cada um e formar uma consciência crítica para que eles possam fazer sua escolhas. Os resultados dessas ações devem aparecer em aproximadamente dois anos mas, segundo Cláudia Regina, com a atual resposta positiva dos adolescentes de Mossoró, fica fácil saber o resultado do projeto.
Fonte: DIÁRIO DE NATAL-RN – OBID