Projeto do Tribunal de Justiça auxilia usuários de drogas no Paraná

A mão amiga da Justiça tornou-se o melhor remédio no combate ao uso de drogas. Das 388 pessoas atendidas num projeto inovador do Juizado Especial Criminal de Curitiba no período, apenas seis voltaram à corte por consumo de narcóticos. A reincidência caiu de cerca de 70% para 1,54% nos anos de 2005 e 2006, segundo o Tribunal de Justiça – TJ. O resultado é fruto da Oficina de Prevenção ao Uso de Drogas, que nasceu em 2005 e meio e se tornou referência no País. Atualmente, no Dia Nacional de Combate às Drogas, a boa notícia é que o projeto será adotado no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina.

A receita do sucesso são os cinco encontros semanais para trabalhar o problema. Neles a pessoa recebe ajuda, ouve testemunhos, assiste a palestras com médicos, psicólogos e assistentes sociais. Depois, vem à reflexão sobre os efeitos negativos das drogas e ajuda para reconstruir a vida. Na conclusão, o usuário recebe do juiz um certificado de multiplicador, que o habilita a trabalhar o tema com outras pessoas.

Programação da 12.ª Semana Antidrogas

A 12.ª Semana de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas – Previda tem uma série eventos com ações preventivas contra as drogas, até dia 30/06. A Coordenação Estadual Antidrogas divulgou o calendário.

Em 25/06, houve a entrega de diploma de Mérito de Valorização da Vida a autoridades com destaque nas ações preventivas contra as drogas, como o Juiz Federal Sérgio Fernando Moro e o Ex-Secretário Estadual da Justiça e Cidadania Aldo Parzianello. A homenagem é da Secretaria Nacional Antidrogas – Senad.

Big Brother

Foi o caso do ex-big brother Edílson Buba, que morreu de câncer no estômago em 2006. Ele freqüentou a oficina, tornando-se multiplicador. Logo após o Big Brother de 2004, Buba foi detido com 18 comprimidos de êxtase e cinco gramas de maconha. Passou 95 dias na prisão, mas a Justiça entendeu que ele era apenas usuário. Depois de solto fundou a Organização Não Governamental “Vida Limpa, Vida Livre” e virou voluntário da oficina.

Repercussão

O projeto ganhou notoriedade a partir da sua apresentação no 21º Fórum Nacional dos Juizados Especiais – Fonaje, em Vitória – ES, que terminou no início de junho. A repercussão o transformou em projeto piloto da Secretaria Nacional Antidrogas, a partir do segundo semestre de 2007, em parceria com a Universidade de São Paulo – USP.

De acordo com o magistrado Roberto Portugal Bacellar, Juiz-Auxiliar da 2ª Vice-Presidência do TJ, a oficina também conquistou a confiança de seus freqüentadores. “Ela é tão importante que um usuário foi ao meu gabinete e pediu para voltar. Ao verificar a situação, descobri que ele tinha recaído e o caso ainda estava na delegacia, mas ele resolveu se antecipar e pedir ajuda”, afirma. O Juiz é um dos idealizadores do projeto.

Já a psicóloga Karin Andrzejewski dos Santos, da equipe multidisciplinar que atua no juizado, diz que a meta é levar os usuários a refletir sobre o efeito dos narcóticos. A equipe trabalha dentro da nova visão da política nacional sobre drogas, que alterou a Lei antidrogas em 2006.

A reflexão já provocou efeitos na vida do pintor José*, 30 anos, usuário de drogas há 15 anos. Ele esteve, do dia 25, no terceiro encontro no juizado, com a certeza de que vai mudar de vida, largar o crack e freqüentar o grupo de auto-ajuda Narcóticos Anônimos – NA. “Minha mulher falou que dos nossos sete anos de casamento, a situação melhorou muito nas três semanas que passei a freqüentar a oficina”, revela.

*nome fictício
Fonte: GAZETA DO POVO-PR – OBID