´Não estamos sós no mundo´, diz Secretário Nacional Antidrogas, sobre consumo de cocaína

Consumo de drogas no Brasil. Levantamento divulgado nesta terça-feira, 26/06, pela Organização das Nações Unidas – ONU estima que o Brasil tenha 860 mil usuários de cocaína. Segundo o relatório anual do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes – Unodc, 0,7% da população brasileira entre 15 e 64 anos utilizava cocaína em 2005.

Em entrevista ao UOL News, o Secretário Nacional Antidrogas, Paulo Uchôa, disse que os números apresentados pelas Nações Unidas indicam que acontece no Brasil o mesmo que em outros lugares do mundo. Em comparação com a porcentagem da população brasileira usuária de cocaína, ele citou estatísticas do Reino Unido, 2,4%; EUA, 2,8% e Itália, 2,1%.

“Há o consumo, mas não estamos sós no mundo”, afirmou. “Estamos tomando as nossas providências; o Brasil realmente tem um rumo a seguir neste caso.”

O rumo, segundo o Secretario, diz respeito à legislação nacional antidrogas, em vigor desde 2006, e que já apresenta dados “promissores”. Leis mais rigorosas com os traficantes e mais brandas com usuários e dependentes, que agora ao invés de cumprirem penas fechadas, têm alternativas para tratamento e recuperação.

“Ao mesmo tempo, estamos capacitando em nível nacional lideranças em diversas áreas – escolas, comunidades, sistema de saúde, empresas – para serem multiplicadoras de informações. Precisamos que o nosso jovem se informe e tenha conhecimento para tomar uma decisão madura a respeito do consumo de drogas. Este é o rumo”, explicou.

Além disso, o Secretário falou da importância do fortalecimento do sistema nacional de políticas públicas sobre drogas por meio do trabalho conjunto de conselhos – estaduais e municipais – sobre entorpecentes.

“É preciso lembrar que as prefeituras precisam ter seus conselhos municipais para que possam trabalhar conjuntamente com os conselhos estaduais e federais; todos precisam falar a mesma língua em benefício da preparação do jovem para a sua decisão com relação à droga.”

Uchôa disse ainda que o Brasil é rota para o tráfico e lembrou que a posição geográfica do país facilita a entrada e a saída da drogas, porque faz fronteira com 3 dos maiores produtores de cocaína e maconha e tem um litoral de quase 8 mil quilômetros de extensão, de frente para continentes como África e Europa.

Rio de Janeiro

O Secretário diz que o Rio de Janeiro é um caso “especial”, diferente de outras cidades também violentas, onde a droga está presente.

“O Rio de Janeiro é diferente porque tem uma topografia diferente, tem uma história diferente; para chegarmos ao ponto de hoje, para existirem aquelas fortalezas que existem por lá… Mas são problemas que os governos municipal, estadual e federal estão tratando de combater e equacionar.”

No entanto, não defendeu o uso do Exército para combater o tráfico.

“Não há necessidade e não é constitucional”, disse. “A Polícia Federal é responsável pela coordenação das atividades de redução da oferta e vem executando o seu trabalho. O Exercito apóia na parte de ações logísticas, ações de inteligência, mas o Exercito não pega em armas contra o trafico porque isto é proibido pela constituição.”
Fonte: UOL News – OBID