Anabolizantes, o consumo cresce dia a dia

Os casos de morte por exagero no consumo de esteróides anabolizantes, há algum tempo, escassearam nos noticiários. Para alguns, o sintoma é positivo. Eles partem do pressuposto de que houve a diminuição do número de usuários dessas drogas. Especialista no assunto, o Professor do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Azenildo Moura Santos, autor do livro “O Mundo Anabólico – Análise do uso de esteróides anabólicos no esporte”, porém, defende tese contrária: o número de pessoas que usa anabolizantes cresce dia após dia. A diminuição dos óbitos, segundo ele, é reflexo de uma nova ordem, que prega o “consumo com moderação” dessas substâncias proibidas.

No fim da década de 1990 e início dos anos 2000, pipocaram casos de mortes por causa do uso indiscriminado de anabolizantes, como o da fisiculturista Lúcia Helena, fulminada por uma hepatite medicamentosa, e do lutador de jiu-jítsu Jean Mesquita, devastado por uma “vitamina” destinada a cavalos, a Potenay B-12. Os fatos serviram para alertar os consumidores sobre os riscos do exagero.

Em 1998, um dos maiores fisiculturistas brasileiros, Enzo Perondini, soltou a célebre frase: “Quando vejo por aí o conceito de que esporte é saúde, morro de rir”. À época, depois de 15 anos usando anabolizantes, Enzo acumulou uma série de doenças, entre elas um câncer no fígado. Sua cruzada contra as “bombas”, somada aos casos de uso dessas drogas viraram exemplo.

“O número de consumidores só tem aumentado, mas os usuários, mais esclarecidos. Por meio do que assistem aos programas, encontram um meio de se drogar, sem que as conseqüências sejam drásticas”, esclareceu Santos. “Atualmente, o uso está mais racional e controlado. Depois de tantos morrerem, as pessoas acabam pensando um pouco mais na hora de usar. É aquela história: a diferença do remédio para o veneno é a dose de prescrição”.

As considerações de Azenildo Santos são difíceis de provar. Como o assunto é um tabu e as penas, principalmente, no atletismo, são duras para aqueles que usam esteróides, os dados oficiais são cada vez mais difíceis de serem registrados. Mas, observações indiretas, como o crescimento desenfreado de traficantes, principalmente na Europa, apontam para o aumento real do consumo. “Na Europa, por exemplo, o tráfico de anabólicos é maior do que o de drogas.”
Fonte: Jornal do Commercio – PE – OBID