Pesquisa mostra que a família ´adoece´ junto com o alcoolista

A Organização Mundial de Saúde – OMS estima que 15% da população brasileira é dependente de bebidas alcoólicas. Considera também que o alcoolismo é uma doença física, mental e espiritual. Embora o problema seja tão comum, a medicina ainda não descobriu por que algumas pessoas desenvolvem a dependência e outras não. Sabe-se apenas que fatores como herança genética, personalidade e ambiente social também desencadeiam o alcoolismo. A doença pode afetar vários órgãos e levar à morte.

De acordo com a conclusão da tese de mestrado do pesquisador Edemilson Antunes de Campos, o alcoolismo é concebido como uma “doença da família” – isto é, uma patologia física e moral que, além de atingir o indivíduo considerado doente, afeta as relações sociais e familiares. O trabalho foi apresentado, no encontro de saúde pública, que envolve o 4º Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, o 10º Congresso da Associação Latino-Americana de Medicina Social e o 14º Congresso da Associação Internacional de Políticas de Saúde, no Centro de Convenções de Salvador.

A pesquisa baseada em depoimentos de pessoas integrantes dos Alcoólicos Anônimos – AA, localizado na periferia de São Paulo, mostra que os próprios usuários assumem que a dependência alcoólica impede que eles cuidem de si e da família. O trabalho mostrou ainda que nos casos de alcoolismo, a internação com acompanhamento psiquiátrico e clínico é indicada. Grupos como os Alcoólicos Anônimos também ajudam no tratamento da doença.

O coordenador da mesa de discussão na qual foram apresentados outros quatro trabalhos ligados ao tema, o professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia – UFBA e diretor do Centro de Estudos em Terapia do Abuso de Drogas – Cetad, Antônio Neri Filho, falou da importância em se tratar do alcoolismo em um congresso de ciências socais e humanas.

“Até então, esse era um tema que só era abordado pelas entidades médicas e psíquicas. É muito bom que uma substância como o álcool e as conseqüências da sua dependência sejam abordados num encontro como esse”, destacou o médico, assinalando que o alcoolismo é um problema de saúde pública e deve ser amplamente discutido.

Danos físicos

Diminuição dos reflexos
O uso a longo prazo aumenta o risco de doenças como o câncer na língua, boca, esôfago, laringe, fígado e vesícula biliar
Pode ocasionar hepatite, cirrose, gastrite e úlcera
Quando usado em grande quantidade pode ocasionar danos cerebrais irreversíveis
Pode causar problemas cardíacos e de pressão arterial
Pode levar à desnutrição
É uma causa conhecida de malformação congênita quando usado durante a gestação

Danos emocionais

Perda da inibição, sendo que pessoa intoxicada com álcool pode fazer coisas que normalmente não faria, como, por exemplo, dirigir um carro em alta velocidade
Alteração do humor, ocasionando raiva, comportamento violento, depressão e até mesmo suicídio.
Pode resultar em perda de memória
Prejuízo na vida familiar do alcoolista, ocasionando desentendimento entre o casal, e problemas emocionais a longo prazo nas crianças
Diminuição da produtividade no trabalho

Fonte: Correio da Bahia – BA – OBID