O problema das drogas no Rio Grande do Norte

Pais, cuidem dos seus filhos! Procurem saber que lugares eles freqüentam e quem são seus amigos. O conselho, em tom de alerta é do médico psiquiatra Joaquim Elói, referindo-se a um inimigo que está próximo, sedutor e momentaneamente prazeroso, e traz muita dor, podendo até destruir a família. Presente em todas as faixas etárias e classes sociais, o consumo de drogas vem aumentando, sobretudo entre os jovens.

De acordo com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, CEBRID, 19,1% da população já fez uso de maconha e cocaína, entre outras drogas ilegais, percentual que aumenta para 29% se for acrescido álcool e tabaco. A pesquisa aponta ainda que, no Brasil, 45,88% dos adolescentes entre 12 e 17 anos já experimentaram álcool, uma prática tão comum que chega a ser encarada com naturalidade. Geralmente, as famílias só começam a se preocupar quando o problema já está instalado.

A questão da drogadição em Natal, no Rio Grande do Norte, foi o tema em discussão na reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente, realizada na antes do recesso parlamentar. No plenário da Câmara Municipal de Natal, os principais atores sociais que trabalham no combate e prevenção das drogas, protagonizaram um debate rico em conteúdo, induzindo, inclusive, a realização de outros encontros para troca de experiências e parcerias, visando o fortalecimento das ações desenvolvidas.

Um ponto em comum enfatizado pelos participantes é a ausência de políticas públicas nessa área. O Diretor da Organização Não-governamental – ONG Grupo Amigos Solidários, Edson Nonato de Faria, observou, por exemplo, que no Quadro de Detalhamento de Despesas – QDD da Prefeitura de Natal, não existe nenhum programa específico com foco na drogadição, embora este tema tenha sido contemplado no Plano de Ação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança – Comdica. O Coordenador do Instituto Potiguar de Prevenção e Combate ás Drogas, Murilo Amaral, acrescentou que, “96% dos atendimentos no Estado são feitos em comunidades terapêuticas”.

Ausência

De forma objetiva, sem hipocrisia, o Coordenador da Chácara Renascer, Roberto Freitas, lembrou que “a droga conduz a um mundo fantástico. No momento do consumo o seu prazer, a sua força é intensa”, disse, falando enquanto pessoa que esteve na condição de usuário e sentiu seus efeitos. O seu pai, envolvido com álcool, foi ao fundo do poço, e o filho atrás. A sua recuperação se deu com muito esforço numa clínica especializada em São Paulo. Hoje, defende uma cultura de educação preventiva e ressalta que a droga entra na família, muitas vezes, pela ausência dessa família.

Cada vez mais comum nos diversos espaços, o acesso às drogas parece facilitado. Tudo começa com o primeiro gole de cerveja – associada às práticas esportivas nas propagandas de televisão, ou ao primeiro trago de cigarro, enveredando para medicamentos estimulantes ou tranqüilizantes até chegar ao crack, cocaína e outras. Entre muitos depoimentos significativos, alguns participantes dos Centros de Atenção de Psicossocial – CAPs, centros de atendimentos mantidos pela Prefeitura, reivindicaram a ampliação desses serviços nas comunidades. O trabalho realizado pelas Igrejas católica e evangélica, como o da Fazenda Esperança e Desafio Jovem foram referenciados e, mais uma vez, ressaltada a importância do desenvolvimento de uma ação pública séria e eficaz na área para evitar situações como a vivenciada por uma mãe que, ao ser questionada sobre onde estava seu filho, envolvido com drogas, respondeu “Não sei para onde foi, nem se volta!”

A.A.P, 22 anos, universitário, diz que provou lança-perfume aos 15 anos num carnaval numa cidade do interior do Rio Grande do Norte. “Estava na folia em volta de amigos e na hora agente quer sentir algo mais, é aí que mora o perigo. A lança, não é fácil e nem barata, mas em qualquer lugar que você vá e quiser buscar qualquer droga, você consegue. Eu curti naquele momento e parei, mas tem outras pessoas que querem mais e não param”.
Fonte: Tribuna do Norte – RN -OBID