O consumo de álcool no País é um dos mais altos do planeta

O Brasil é uma das nações com os problemas mais graves relacionados ao consumo de álcool no planeta. Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, o País tem uma freqüência exagerada de acidentes e atos violentos associados ao álcool, apresenta um consumo de bebida alcoólica por habitante muito elevado e registra uma proporção igualmente alta de doenças físicas ocasionadas pela ingestão excessiva dos destilados e fermentados. A avaliação da OMS chama a atenção para um aspecto que a maioria das pessoas, normalmente por questões culturais, não vê como um fator preocupante: o padrão de consumo de álcool nocivo, isto é, a ingestão de quantidades excessivas em dias específicos da semana, a freqüência elevada de embriaguez, a exposição a riscos após o consumo e o uso da bebida, apesar da contra-indicação médica. Em outras palavras, os danos à saúde determinados pelo álcool não se restringem apenas à quantidade que se bebe, mas também, e principalmente, ao modo como se bebe.

As pesquisas ajudam a dimensionar o fenômeno no Brasil. De acordo com um levantamento nacional de 2005 do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid, da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, praticamente três quartos da população brasileira acima de 15 anos – 74,6%, bebe ou já bebeu – em 2001, este percentual era de 68,7%. E o mais preocupante: as pessoas estão começando a beber cada vez mais cedo. Pelo trabalho, 41,2% dos jovens de 10 a 12 anos e 69,52% de adolescentes entre 13 e 15 anos já consumiram álcool. Outra pesquisa, realizada em 2004 e conduzida pelo Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp, confirma essa tendência. Entre os alunos de escolas particulares, de 14 a 19 anos, de Brasília, São Paulo e Campinas, 65% bebem regularmente.

O estudo mais impressionante, porém, foi divulgado este ano pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT, que ouviu universitários entre 18 e 30 anos nas capitais brasileiras. O resultado assusta: todos saem de carro para se divertir; 42% disse que volta dirigindo de festas, mesmo se tiver bebido; 6% admitiu fazer isso ao beber muito; 78% informou que seus amigos sempre voltam dirigindo de programas depois de beber; 36% admitiu que dirige regularmente após beber; 64% já fez isso alguma vez; e 38% conhece pessoas que se acidentaram após beber.

Os números traduzem um fato incontestável, o de que o álcool é a droga mais consumida pelo brasileiro. A cerveja e a aguardente, em especial, fazem parte do contexto cultural do país, porque estão incorporadas a reuniões sociais e festas. Ou seja, o uso de bebida alcoólica não só é aceito como também é freqüentemente estimulado. O problema são as conseqüências disso. O álcool é responsável por 75% dos desastres fatais de trânsito, 30% das ocorrências policiais e 20% dos acidentes de trabalho. Além disso, a bebida é, certamente, um dos maiores fatores de adoecimento das pessoas, já que prejudica todos os órgãos e sistemas do corpo.

Alcoolismo

O dependente de álcool tem compulsão incontrolável de beber, apresenta cada vez mais tolerância aos efeitos da bebida e sofre da síndrome de abstinência sem a droga.

O alcoolista chega a apresentar descompensação metabólica, desorientação, agitação e desidratação quando fica sem consumir a bebida. A própria ressaca – insônia, irritação, agressividade, dor de cabeça, mal-estar e sede é uma síndrome de abstinência. Para superar a dependência, é preciso reconhecê-la.

O estigma só atrapalha. A melhor maneira de lidar com a dependência não é punindo simplesmente. Os métodos de tratamento são ambulatorial, farmacológico, hospitalar, bem como de auto-ajuda e terapia familiar.

Trânsito

Mais da metade dos acidentes de trânsito com vítimas no Brasil tem relação com o álcool. Não há níveis seguros para beber e dirigir. A tolerância da Lei, que corresponde ao uso seguro da bebida para a saúde, é apenas uma medida legal, mas os efeitos do álcool variam de pessoa para pessoa. Uma lata de cerveja já altera a percepção no trânsito.

O desafio é tomar consciência dos riscos, ou seja, tentar imaginar, antes de entrar no carro, como seria a sua vida ou a das pessoas próximas diante de um acidente grave e, muitas vezes, fatal.

Jovens: as principais vítimas

Os adolescentes e os jovens de até 30 anos de idade compõem um dos grupos mais vulneráveis ao uso nocivo do álcool. É uma situação inevitável, pois nessa fase a pessoa tende a buscar na euforia e na desinibição proporcionadas pelo álcool — e também por outras drogas maneiras para ser aceito entre os grupos de amigos. Os pais têm papel decisivo na prevenção do padrão de uso nocivo do álcool. Para tanto, devem: buscar informações sobre os riscos do álcool para poder dialogar com o filho; saber estabelecer limites por meio de acordos; ter noção de que são pais e não apenas amigos dos filhos; aprender a escutar os jovens; dar exemplo em casa, evitando o uso regular e excessivo de álcool; estar mais presente na vida do adolescente, para poder supervisioná-lo quando necessário; e proporcionar qualidade de vida ao jovem, estimulando hábitos saudáveis.
Fonte: UOL – OBID