Pessoas que consomem cigarros e bebidas alcoólicas têm maiores chances de sofrerem com o refluxo

Azia, queimação e em alguns casos regurgitação, além de uma sensação horrível de queimor iniciada na “boca do estômago” subindo em direção à garganta. Os sintomas característicos da doença do refluxo gastroesofágico, ou simplesmente refluxo, como é popularmente conhecida, são sentidos por 12% dos brasileiros. Um estudo realizado pelo Datafolha – Instituto de Pesquisas e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia, em 22 cidades, revelou que essa patologia atinge aproximadamente 22 milhões de pessoas em todo o País.

A doença é definida pelo retorno do material ácido que está dentro do estômago para o esôfago provocando azia e, em algumas situações, vômitos de alimentos ou líquidos. O cirurgião e gastroenterologista Adriano Rios explica que a azia é o principal sintoma do refluxo. Segundo ele, as pessoas que costumam sentir o mal-estar pelo menos quatro vezes por semana, devem procurar um especialista. “Esse incômodo é o principal indício da doença, daí a necessidade de investigar”, reforçou Rios.

Ele explica que o alimento triturado percorre o esôfago até o estômago. No final desse órgão, existe uma válvula chamada de esfíncter que se abre para deixar o alimento descer para o estômago e que se fecha impedindo que o suco gástrico e o que foi digerido voltem para o esôfago. Se a válvula não funcionar bem, ocorre o refluxo, que é diagnosticado por meio do exame de endoscopia – procedimento que visualiza o esôfago e estômago.

Obesos, usuários de bebida alcoólica, fumantes e aquelas pessoas que têm uma dieta rica em alimentos gordurosos possuem maiores chances de desenvolver a doença. De acordo com Rios, o ideal é controlar o peso e não fazer grandes refeições. “Comer de forma fracionada e não associar a bebida à comida. Essa prática é muito ruim por que torna a digestão mais lenta”, disse o médico. Ele sugeriu ainda evitar deitar-se nas primeiras duas horas seguintes às refeições, acrescentando que algumas pessoas beneficiam-se em dormir numa cama com a cabeceira elevada em 20cm a 25 cm.

Câncer

O refluxo também pode atingir a garganta, os pulmões e até a boca, causando pigarro, tosse, laringite, asma, gengivite e desgaste do esmalte dentário. A ocorrência de falta de ar com chiado no peito, como a asma, também pode ser desencadeada pelo refluxo. O gastroentorologista alerta para necessidade de tratar a doença, afirmando que o refluxo ignorado ao longo de dez anos pode se agravar e vir a provocar uma doença chamada de metaplasia intestinal no esôfago. Segundo ele, as pessoas portadoras dessa patologia têm 125 vezes mais chances em desenvolver o câncer de esôfago.

Em geral, o tratamento é clínico, com a adoção de medidas educativas associadas a medicamentos. O gastroenterologista Adriano Rios explica que, além do uso de remédios que ajudam a controlar a acidez e minimizar o refluxo, é preciso uma mudança radical nos hábitos de vida. “O controle do peso é muito importante”, salientou o especialista, acrescentando que algumas medidas como evitar a bebida alcoólica, não beber líquidos muito quentes, ingerir um mínimo de líquidos durante ou logo após as refeições, evitar a ingestão de chá preto e café puro com estômago vazio ajudam a minimizar o problema.
Autor: Correio da Bahia
Fonte: OBID