Dependentes param no meio do caminho do tratamento

Mais de 60% dos dependentes químicos que passam por algum tipo de centro de recuperação em Porto Velho, capital do estado de Rondônia, são reincidentes. Essa constatação foi dada no dia 6/8 pela diretora da reinserção social da Casa Família Roseta, Gigliane Alencar. Ela afirma ainda que o principal motivo para essa desistência é a falta de apoio das famílias e principalmente das facilidades com que são comercializadas as drogas na capital.

Segundo Gigliane, a maioria dos dependentes químicos que estão em casas de recuperação em Porto Velho passa por uma “dependência cruzada” antes de procurarem ajuda, ou seja, tanto usam narcóticos como são alcoolistas. “Segundo a maioria dos dependentes, um vício leva ao outro. Muitos deles já me relataram que só usavam drogas ilícitas quando bebiam”, disse.

De acordo com a diretora, ainda no setor de triagem é percebida que a dependência da merla é a mais comum entre os homens que passam pela casa de recuperação. “Atendemos maiores de 16 anos, mas já houve ocasiões em que os pais insistiram para que internássemos meninos de até oito anos de idade”, comenta.

Um dependente de merla e álcool de 26 anos e usuário há mais de 13, passando por um centro de recuperação pela terceira vez, afirma que a falta de apoio da família e as facilidades em encontrar droga são os principais motivos para a reincidência. “Agora que eu percebi que tenho capacidade para fazer mais do que isso. Tenho fé que um dia vou sair dessa vida”, disse.
Fonte: Estadão do Norte – RO – OBID