Especialistas em reprodução humana afirmam que o tabagismo é um entrave para o casal que deseja engravidar

O tabagismo feminino reduz globalmente a fertilidade, causando um atraso da primeira gestação. “Estudos e pesquisas dos últimos anos apontam que o tabagismo materno influi mais decisivamente na fertilidade do casal do que o tabagismo paterno, o que significa que o sistema reprodutivo feminino é mais vulnerável ao tabagismo que o sistema masculino”, afirma o coordenador Joji Ueno, do curso de pós-graduação Especialização em Medicina Reprodutiva, ministrado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Até algumas décadas atrás, acreditava-se que os efeitos da dependência do tabaco eram mais fortes nos homens, mas à medida que novas gerações de fumantes foram chegando verificou-se que as mulheres são igualmente, ou mais, suscetíveis aos malefícios do fumo, isso devido às peculiaridades próprias do sexo: como a gestação e o uso da pílula anticoncepcional. “A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce – em média 2 anos antes – e dismenorréia – sangramento irregular”, afirma Joji Ueno.

O risco de infarto do miocárdio, embolia pulmonar e tromboflebite – trombose com reação inflamatório, em mulheres jovens que usam anticoncepcionais orais e fumam chega a ser dez vezes maior do que o das mulheres que não fumam e usam este método de controle da natalidade. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer – INCA, o tabagismo é responsável por 40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos e por 10% das mortes por doença coronariana nas mulheres com mais de 65 anos de idade. Graves complicações na saúde feminina também podem resultar do ato de fumar durante a gravidez. “Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma”, diz o médico. A gestante que fuma apresenta mais complicações durante o parto e tem o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e menor comprimento, comparando-se com a grávida que não fuma. Tais problemas se devem, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno.

De acordo com dados do INCA, um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular. Assim, é fácil imaginar a extensão dos danos causados ao feto, com o uso regular de cigarros pela gestante. Os riscos para a gravidez, o parto e a criança não decorrem somente do hábito de fumar da mãe. Entre as mulheres que convivem com fumantes, principalmente seus maridos, há um risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão em relação àquelas cujos maridos não fumam. Quando a gestante é obrigada a viver em ambiente poluído pela fumaça do cigarro ela absorve as substâncias tóxicas da fumaça, que pelo sangue são repassadas para o feto.

A fertilidade masculina é prejudicada pelo tabagismo, na medida em há uma alteração nos parâmetros seminais de pacientes tabagistas. O tabagismo masculino está associado à redução na qualidade do sêmen, incluindo concentração de espermatozóides, motilidade, ou seja, capacidade do espermatozóide de mover-se espontaneamente, morfologia e efeito potencial na função espermática, além das alterações nos níveis hormonais. O hábito de fumar, com o passar dos anos, estabelece um declínio na capacidade reprodutiva masculina de maneira progressiva. Existem inúmeros trabalhos científicos demonstrando este efeito deletério do cigarro sobre a fertilidade masculina. Um estudo demonstra que pacientes fumantes apresentam um decréscimo médio de 10% na motilidade espermática, 13% na concentração espermática e 3% na morfologia espermática.

O volume seminal apresenta-se diminuído em pacientes fumantes, estratificados de acordo com o número de cigarros fumados por dia, quando comparados aos pacientes não fumantes. O tabagismo também pode causar uma diminuição da fertilidade por alterar os níveis hormonais de testosterona e de estradiol, e por provocar alteração no DNA dos espermatozóides. “Costumamos recomendar àqueles indivíduos que apresentam sêmen de qualidade inferior e história de infertilidade, que deixem de fumar para que haja uma melhora da qualidade do sêmen com a interrupção do tabagismo”, diz Joji Ueno.
Fonte: Saúde & Lazer – OBID