Piteira e cigarros light não diminuem o risco de câncer de pulmão

Não importa a evolução dos tratamentos, sobre o câncer ainda pairam inverdades e tabus. Mitos relacionados aos fatores de risco e à prevenção do câncer persistem, apesar de todos os esforços empreendidos pelos profissionais de saúde. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos levantou as crenças incorretas mais difundidas e mostrou que mais da metade da população acredita em pelo menos uma inverdade sobre a doença.

O coordenador do levantamento, Kevin Stein, do Centro de Pesquisa em Comportamento da Sociedade Americana de Câncer também é inclemente com a própria classe médica. “Temos falhado em transmitir dados claros sobre o câncer”, admite o especialista.

Entre os mitos mais difundidos, está aquele que diz que tem aumentado o número de mortes por câncer, este defendido por um total de 67% da população. O outro o de que viver em uma cidade poluída contribui mais para o aparecimento de tumores no pulmão, do que fumar um maço de cigarros por dia – e esta é uma crença mantida por 38% das pessoas pesquisadas.

O chefe da divisão de cirurgia torácica do Instituto Nacional do Câncer – Inca, Paulo De Biasi pondera que os mitos prejudicam, fundamentalmente, as possibilidades de um diagnóstico precoce, fator de máxima importância na possibilidade de cura.

“Muitas vezes um fumante acima dos 50 anos, que faz parte daquele grupo de risco para câncer de pulmão demora a procurar ajuda quando está com sintomas respiratórios como tosse ou escarro com sangue”, exemplifica. Stein critica ainda a indústria do tabaco, que “por anos veicula a imagem de que cigarros light são uma escolha mais saudável”. Não são.

“Piteira e cigarros light não diminuem o risco de câncer de pulmão”, assegura De Biasi. “O mesmo acontece com os charutos, ou com a maconha. Por apresentarem mais elementos carcinogênicos e não terem filtro, consumir três cigarros de maconha ou um charuto equivale a fumar dois maços por dia”.
Fonte:Gazeta Mercantil – SP – OBID