Dependência do álcool

Uma doença que não escolhe idade, sexo, raça ou classe social e que muitas vezes é deixada em segundo plano pela sociedade. Com o peso das propagandas, por se tratar de uma droga lícita e encontrada facilmente, o álcool é bem aceito em quase todos os lugares, tornando-se uma porta aberta para a dependência. O que para uns significa um momento de alegria, para outros é sinônimo de sofrimento, de distanciamento da família, do trabalho e dos seus interesses.

Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, um alcoólico é um bebedor excessivo, cuja dependência provoca perturbações que afetam a saúde física e mental, as relações de trabalho, bem como o comportamento socioeconômico. “O álcool não entra na nossa vida já prejudicando. Ele se torna a coisa mais importante e depois lhe joga na sarjeta”. Assim define Eduardo*, 35 anos, que procurou ajuda para tratar a doença há um ano.

O alcoolismo atinge de 10% a 12% da população mundial e, no Brasil, de acordo com o II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil de 2005, realizado pelo Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo – Cebrid/Unifesp e financiado pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad, a dependência do álcool aumentou. Em 2001, 11,2% das pessoas com idade entre 12 e 65 anos eram dependentes. Em 2005, esse índice aumentou para 12,3%.

Por se tratar de um assunto que normalmente passa despercebido para a maioria, muitas vezes o dependente nem sabe que tem o problema até passar por vários momentos de crise por conta da bebida.

Mas, como saber o limite entre um bebedor moderado e um dependente? Os especialistas enumeram alguns sinais que ajudam a identificar o problema, como o desejo de consumir a substância; a dificuldade em controlar o consumo; o estado de abstinência; o aumento da tolerância ao álcool; o abandono dos interesses por conta da bebida e a persistência no uso, mesmo com os problemas causados.

“Esses fatores são usados para diagnosticar um dependente, mas é importante lembrar que a questão do alcoolismo é mais ampla, pois envolve família, trabalho, acidentes, entre outros”, lembra a psiquiatra Jandira Saraiva.

O alcoolismo é uma doença controlável e não significa que todo mundo que gosta de beber um pouco a mais pode desenvolver a doença. “Ela pode ser desencadeada por diversos fatores, como os pessoais, tipo de cultura em que se vive, família, escola, além da vulnerabilidade genética”, explica a psiquiatra.

O mais importante é não ter vergonha de procurar ajuda, pois há vários lugares especializados no assunto. “Existem os Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas Caps-AD e os Alcoólicos Anônimos, que fazem um trabalho muito importante”, diz Jandira. Em geral, segundo a especialista, o tratamento da dependência inclui a desintoxicação, a prevenção das recaídas, o aprendizado com os outros e com a família. “O preconceito ainda é grande, mas é preciso procurar ajuda”, aconselha a especialista.
Fonte:FOLHA DE PERNAMBUCO-PE – OBID