Homens começam a freqüentar casas de recuperação depois dos 50 anos

A droga depois dos 50 anos parece ainda uma realidade distante, considerando o envolvimento cada vez maior de crianças e adolescentes a partir de 11 anos. No entanto, as entidades que tratam dependentes começaram a registrar um novo público que está se multiplancado cada vez mais rápido. Atualmente, conforme pesquisa feita pela Gazeta de Limeiras – SP e mais três entidades, pessoas na faixa de 50 anos já correspondem a 20% dos atendimentos. O problema evolui quando a aposentadoria chega.

Os dados pesquisados mostram que o público masculino predomina nesta faixa etária, embora as mulheres também tenham grande peso nas estatísticas. É difícil encontrar respostas e é mais complicado ainda admitir que o problema permeia famílias de todas as camadas sociais.

A prova disso é que o atendimento envolve desde pessoas que cresceram desamparadas nas ruas até o público rotulado de “elitizado”, incluindo advogados, médicos e até mesmo professores universitários. Segundo o vice-presidente da Comunidade Terapêutica Nova Vida, Carlos Aurélio Beduschi, dos 112 dependentes em tratamento, 22,3% têm mais de 50 anos.

Apesar do problema se agravar nesta idade, a origem normalmente começa na juventude. “Não se trata de pessoas que usam crack, por exemplo, desde a juventude. Até porque se isso acontecesse ou elas estariam mortas ou na cadeia. O problema começa com a dependência alcoólica, que abre portas para outras substâncias”.

Os anos passam, as famílias se refugiam no lema “ele só bebe” e enquanto a pessoa ainda está ativa no mercado de trabalho as conseqüências ficam obscuras. “O trabalho acaba implicando teoricamente em mais responsabilidades, mas quando a aposentadoria chega o problema fica escancarado. É o caso dos homens que bebiam apenas à noite ou nos finais de semana. Depois de aposentados, com mais tempo ocioso, eles começam a beber mais e usam facilmente outras drogas”.

Entre o público masculino, Beduschi informou que predominam os pacientes vítimas do álcool e do crack. Já entre as mulheres, a dependência do crack somada à anfetamina – substância muito utilizada em remédios para emagrecer.

Destruição

Quando chegam às entidades, essas pessoas já estão destruídas físicamente, mentalmente e espiritualmente, assim como suas famílias, que também precisam de acompanhamento.

Na Comunidade Mais Vida, a coordenadora Heloisa Contreras, também traçou perfil semelhante deste público e enfatizou que “quando o caso chega à entidade a situação é extremamente crítica. As famílias propõem que os dependentes tomem um novo rumo ou serão abandonados”.
O problema é mais grave porque em função da ajuda tardia as chances de recuperação são menores. “Na verdade são casos crônicos de pessoas de uma faixa etária totalmente sem perspectivas de vida”.

Os tratamentos são separados e diferenciados, isso porque, segundo Heloisa, trata-se de casos crônicos em que cerca de 60% dos dependentes já têm algum tipo de comprometimento em função do uso de álcool, das drogas ilícitas e da idade.

Família

Mesmo sabendo das causas, Beduschi admite que e a situação dos familiares é difícil. “O dependente se auto-avalia, mas somente o médico tem o diagnóstico. É preciso procurar ajuda”. Quando o dependente não aceita, como ocorre na maioria dos casos, a recomendação é solicitar abordagens com equipes especializadas que farão os devidos encaminhamentos para realização de exames neurológicos para detectar as conseqüências da dependência, além das medidas necessárias que sinalizem uma esperança de recuperação.
Fonte: GAZETA DE LIMEIRA – LIMEIRA-SP (com alterações) – OBID