Governo na luta contra o consumo abusivo de álcool

Dados de levantamento inédito sobre o consumo de álcool no País vão permitir a elaboração de políticas públicas na redução dos riscos e danos do consumo abusivo das bebidas alcoólicas

O I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira é uma pesquisa inédita na qual o governo federal, juntamente com pesquisadores da universidade, investigou em detalhes como o brasileiro bebe, o que ele pensa sobre as políticas de bebidas alcoólicas e quais são os problemas associados com o uso do álcool no Brasil.

Pela primeira vez, um estudo brasileiro mediu a intensidade do consumo de bebidas alcoólicas no país. Segundo dados da pesquisa, 48% da população se diz abstêmia, 23% bebem frequentemente (uma vez ou mais por semana e 5 ou menos doses por ocasião) e pesado (bebem uma vez ou mais por semana e consomem 5 doses por ocasião) e 29% são bebedores pouco freqüentes e não fazem uso pesado de bebida. A pesquisa revelou também que 12% da população tem algum problema com o álcool.

Segundo dados de 2004 da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 2 bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas. Seu uso indevido é um dos principais fatores que contribui para a diminuição da saúde mundial, sendo responsável por 3,2% das mortes e por 4% de todos os anos perdidos de vida útil. Na América Latina, aproximadamente 16% dos anos de vida útil perdido estão relacionados ao uso indevido dessa substância, índice quatro vezes maior do que a média mundial.

O governo brasileiro definiu sua política pública para o álcool a partir de um processo instalando no Conselho Nacional Antidrogas (CONAD), com a criação da Câmara Especial de Políticas Públicas sobre o Álcool (CEPPA). Em novembro de 2005, o Brasil promoveu e financiou integralmente a 1ª Conferência Pan-Americana de Políticas Públicas para o Álcool (OPAS), que reuniu representantes governamentais de 26 países, que culminou na Declaração de Brasília de Políticas Públicas sobre o álcool, que aponta entre suas recomendações que políticas baseadas em evidência sejam implementadas e avaliadas por todos os países das Américas.

É neste contexto que o CONAD, órgão central do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SISNAD) e responsável pela Política Nacional sobre Drogas (PNAD), apresenta os resultados deste I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, projeto que vem sendo desenvolvido desde 2003, em parceria entre a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O levantamento foi feito entre novembro de 2005 e abril de 2006 e foram realizadas 3.007 entrevistas da pesquisa, sendo 2.346 adultos com mais de 18 anos e 661 adolescentes entre 14 e 17 anos, em 143 municípios de norte a sul do país. Os dados mostrados são representativos de 100% da população brasileira, com exceção da população indígena e das populações que vivem em locais de convívio coletivo, como quartéis, asilos, internatos, entre outros.

O consumo nocivo de álcool é responsável por cerca de 3% de todas as mortes que ocorrem no planeta, incluindo desde cirrose e câncer hepáticos até acidentes, quedas, intoxicações e homicídios. Nos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, as bebidas alcoólicas são um dos principais fatores de doença e mortalidade, com seu impacto deletério sendo considerado entre 8% e 14,9% do total de problemas de saúde dessas nações.
Fonte: SENAD – OBID