Doença pulmonar também causada pelo consumo do cigarro afeta 7 milhões de brasileiros

Apesar de afetar 7 milhões de brasileiros, ser a quinta causa de morte e quarta causa de internações no sistema público brasileiro, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC, moléstia progressiva que une enfisema pulmonar e bronquite, é conhecida por apenas 5% da população. Para piorar, apenas 12% dos portadores da doença são diagnosticados corretamente – e, dos afetados, 88% são fumantes ou ex-fumantes.

Os dados são de duas pesquisas divulgadas dia 22/08, uma feita pela Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, e a outra realizada por diversos centros de pesquisa em 46 países, incluindo o Brasil.

Os estudos mostraram ainda que, enquanto as pessoas leigas desconhecem a doença, entre os médicos há também falta de preparo para diagnosticar e acompanhar esses pacientes. Isso porque 60% das pessoas estudadas não tinham sido submetidas a espirometria, exame que avalia a capacidade respiratória e é importante para o diagnóstico preciso e o acompanhamento da evolução da doença.

“Isso mostra que o exame ainda é subutilizado pelos médicos”, afirma o pneumologista José Jardim, professor da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, responsável pela primeira pesquisa e coordenador do estudo internacional no Brasil. Segundo ele, os primeiros sintomas da doença – falta de ar, tosse e produção de muco – catarro – costumam ser entendidos como conseqüências da idade e/ou do cigarro.

“A incidência da DPOC no mundo aumentou 371% de 1965 a 1998. Como ela demora de 30 a 40 anos para aparecer, estamos tratando quem começou a fumar a décadas. E, como as pessoas continuam fumando, e em lugares como Ásia o fumo ainda cresce, é um problema que não será resolvido tão cedo. Ainda vamos continuar convivendo com a doença nas décadas futuras”, explica o pneumologista Sanjay Sethi, especialista na área da Universidade de Búfalo, de Nova York, presente na apresentação da pesquisa.

A DPOC é uma doença progressiva, provocada pela exposição prolongada dos brônquios a substâncias tóxicas que estão na fumaça do cigarro. Por demorar cerca de 30 anos para se manifestar, ela geralmente afeta pessoas a partir dos 50 anos. No entanto, além do fumo, responsável por 90% dos casos, pessoas que tiveram contato com alguns tipos de fuligem – como quem trabalha em carvoarias, ou com fumaça de fogões a lenha também podem ser vítimas da doença.

O primeiro trabalho, que analisou a falta de diagnóstico, foi feito com uma amostragem de cerca de 500 pacientes, pela Unifesp. Eles visitaram as pessoas em suas casas e as examinaram. O maior estudo, do qual o Brasil fez parte, envolveu 50 mil pacientes e 7,7 mil médicos em 46 países.

Números

>7 milhões de pessoas são afetadas pela Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC, no Brasil

>95% da população desconhece o que é DOPC

>88% dos doentes diagnosticados atualmente são ou foram fumantes

>20% dos fumantes acabam desenvolvendo a doença após os 50 anos; mesmo ex-fumantes podem ter a moléstia

>70% dos pacientes precisam procurar o médico quatro vezes por ano por causa das crises respiratórias
Fonte: O ESTADO DE S. PAULO-SP – OBID