Mulheres são mais sensíveis ao álcool

De acordo com estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid, realizado em 2001, entre os brasileiros, havia uma mulher alcoólatra para cada dois ou três homens dependentes. No entanto, dados revelados por uma pesquisa produzida em novembro de 2004 por uma universidade britânica apontaram mudanças: de acordo com a análise, 32% de meninas entre 15 e 16 anos saiam de casa uma ou várias noites, no mês em que a pesquisa foi feita, com um único propósito: tomar um “porre”. Entre os meninos, o número foi de 25%.

Segundo o médico Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia – Abran, o metabolismo do álcool nas mulheres não é igual ao dos homens. “Se administrarmos a mesma dose para dois indivíduos de sexos opostos, a mulher apresentará níveis alcoólicos mais elevados no sangue”.

A fragilidade aos efeito do álcool no sexo feminino é explicada pela maior proporção de tecido gorduroso no corpo das mulheres, causada por variações na absorção de álcool no decorrer do ciclo menstrual e por diferenças entre os dois sexos na concentração plasmática de desidrogenase – enzima que protege o fígado dos efeitos maléficos do álcool.

“Por essas razões, as mulheres ficam alcoolizadas com doses mais baixas e progridem mais rapidamente para o alcoolismo crônico e suas complicações médicas”, justifica o médico nutrólogo.

O abuso do álcool causa inúmeros problemas ao corpo, incluindo alteração do comportamento, perda de memória, envelhecimento precoce, câncer de boca e garganta, risco aumentado de pneumonia e outras infecções, insuficiência cardíaca, entre outros. No caso das mulheres, o alcoolismo tem uma característica peculiar. De acordo com o Durval Ribas Filho, o alcoolismo entre as mulheres tende a se manifestar na juventude ou na meia idade.

Infertilidade

“Por repercutir negativamente sobre a esfera ginecológica, obstétrica e endocrinológica, provoca ciclos irregulares, infertilidade, prejuízos para o desenvolvimento fetal, aumento de massa gordurosa abdominal, além de diversas controvérsias atribuídas às relações entre o consumo de álcool, osteoporose e terapia de reposição estrogênica”.

Para quem procura se desvencilhar desse mau hábito, é importante identificar situações que levem a ingestão de grandes doses de álcool, como festas e comemorações, e tomar algumas medidas para evitá-las. Buscar outras atividades de entretenimento, limitar o número de saídas para beber com os amigos e procurar diminuir as doses, quando inevitável, estão entre as dicas do médico nutrólogo.

O presidente da Abran ressalta ainda que, de acordo a Organização Mundial de Saúde -OMS, as pessoas saudáveis podem consumir, no máximo, 30 gramas de álcool por dia.
Fonte: Jornal de Brasília – OBID