Pesquisa demonstra que alunos de saúde ignoram Lei antifumo

Como parte das comemorações do Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, o Instituto Nacional de Câncer – INCA, divulgou o resultado do inquérito “Vigilância de Tabagismo em Universitários da Área da Saúde” com estudantes do terceiro ano da graduação de quatro áreas: enfermagem, odontologia, farmácia e medicina.

Foram ouvidos 3.189 universitários de estabelecimentos de ensino públicos e particulares nas cidades de Campo Grande, Florianópolis, João Pessoa e Rio de Janeiro: 1.113 do curso de medicina; 1.596, de enfermagem; 227, de odontologia; e 253, de farmácia. Na maioria das cidades, o inquérito foi feito ao longo de 2006. Apenas em Florianópolis a pesquisa foi realizada em 2007.

Além de verificar a prevalência de fumantes, o estudo delineou o perfil dos estudantes em relação aos hábitos e atitudes do consumo do tabaco. Também foi avaliada a concepção dos estudantes acerca da legislação antitabagismo. Segundo a chefe da Divisão de Epidemiologia do INCA e coordenadora da pesquisa, Liz Almeida, os alunos da área de saúde são, potencialmente, agentes de mudança..

Foi realizado um censo entre os estudantes universitários dos cursos pesquisados, com exceção do Rio de Janeiro, onde foi feita uma amostra representativa dos estudantes de enfermagem. A pesquisa nos cursos de farmácia e odontologia no Rio de Janeiro ainda está em andamento, por isso os resultados não foram apresentados neste momento.

Fumo entre os futuros profissionais da saúde

Apesar de serem da área da saúde e com maior acesso à informação sobre os efeitos do tabagismo, a pesquisa demonstra que o maior e menor percentual na prevalência de fumantes foi encontrado no curso de odontologia: 21,2% em Campo Grande, e 4,1% em Florianópolis. No Rio de Janeiro, por exemplo, 16,5 dos estudantes de medicina se declararam fumantes.

O tabaco também é consumido pelos universitários sob várias formas além do cigarro. Entre os universitários que se dizem fumantes de outros produtos, o mais freqüentemente apontado foi o narguilé, um cachimbo com água, utilizado para fumar. Os maiores consumidores de narguilé são os estudantes catarinenses de odontologia, medicina e farmácia.

A maioria dos estudantes relata ter conhecimento da existência de uma norma contra o fumo nos prédios das universidades. Isso demonstra que os estabelecimentos de ensino têm se preocupado em observar a Lei 9294/96 que proíbe o fumo em ambientes fechados. Em Florianópolis, 96,3% e 90% dos universitários de odontologia e medicina, respectivamente, têm conhecimento dessa norma. O curso de enfermagem apresentou os menores percentuais em todas as cidades, variando de 48,2%, em Campo Grande, a 53,6%, no Rio de Janeiro.

Entre aqueles que relatam existir normas, apenas os alunos de medicina de Campo Grande – 90% – afirmam que elas estão sendo efetivamente cumpridas. Para os estudantes das demais cidades, menos da metade têm esse tipo de concepção.

Isto se reflete na prática. Entre os universitários fumantes, muitos afirmam fumar dentro dos ambientes fechados dos seus estabelecimentos de ensino. O maior percentual está entre os futuros enfermeiros de Campo Grande, 27%. Em Florianópolis, nenhum dos alunos do curso de farmácia revelou fumar dentro dos prédios universitários.

A pesquisa também demonstra existir desconhecimento acerca da legislação que proíbe o fumo em ambientes fechados. Para mais da metade dos entrevistados, não é proibido fumar dentro de discotecas e casas de shows, ambientes geralmente fechados. Em relação aos restaurantes, existe uma grande variação no grau de concepção. Enquanto entre os futuros enfermeiros de Campo Grande, 100% crêem ser proibido fumar nesses locais, apenas 22,9% dos estudantes de farmácia de Santa Catarina têm essa concepção. Menos da metade dos participantes da pesquisa, consideram que o fumo é proibido nos transportes públicos. Os resultados variaram de 29% entre os futuros farmacêuticos de Campo Grande e 42,7% entre os universitários de enfermagem do Rio de Janeiro.

De uma maneira geral, os estudantes, fumantes ou não, estão expostos ao fumo em suas residências, sendo considerados tabagistas passivos. Os percentuais variam de 16% entre os alunos de medicina de João Pessoa a 38% entre os estudantes de enfermagem do Rio de Janeiro.
Fonte: INCA – Instituto Nacional do Câncer (com alterações) -OBID