Restrições devem reduzir número de fumantes, mas dependência cresce em países em desenvolvimento

Não é de hoje que os fumantes estão tendo dificuldade para acender um cigarro em paz. Por causa das crescentes restrições ao fumo no Brasil e pelo mundo, o hábito tem perdido espaço em diversas cidades como o Rio de Janeiro, Londres e Nova York. Porém, o tabagismo também cresce exponencialmente nos países em desenvolvimento como a China, onde surgem três milhões de novos fumantes a cada ano. Segundo o pneumologista Alberto Araújo, se nada for feito, os fumantes nos países mais pobres vão aumentar de três milhões para dez milhões em 2020.

A dependência em nicotina está se tornando uma doença dos países em desenvolvimento, onde a população tem poucas informações sobre os malefícios do fumo e usa o cigarro como válvula de escape para problemas como a fome, a falta de dinheiro e a violência. Essa é a opinião do pneumologista Alberto José de Araújo, diretor do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabigismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, que atende diariamente pacientes com doenças crônicas causadas pelo tabagismo.

“Estatísticas apontam que 80% dos brasileiros fumantes querem se tratar da dependência. Quem tem educação e meios para pagar tratamentos e medicamentos acaba sendo mais bem-sucedido na tarefa, enquanto as camadas pobres fumam como mecanismo de compensação para uma série de sofrimentos e pensam menos em parar. A Organização Mundial de Saúde – OMS, estima que, se nada for feito, os fumantes nos países mais pobres vão aumentar de três milhões para dez milhões em 2020”, alerta.

Segregar o fumante não ajuda

Maior problema de saúde pública no mundo, o tabagismo afeta 30 milhões de brasileiros diretamente, e mais de 60 milhões sofrem com os efeitos do fumo passivo. Todo ano, 200 mil pessoas morrem precocemente em decorrência de doenças causadas pelas 4.700 substâncias tóxicas presentes no cigarro. Por isso, as restrições ao fumo em lugares públicos estipuladas pela OMS são tão importantes.

O advogado Sérgio Honorato dos Santos, autor do recém-lançado “Obrigada por não fumar” – ed. Senac, livro que traça a história do tabagismo, lembra que a situação dos fumantes está bastante delicada atualmente.

“Cada vez mais, o espaço demarcado a eles significa a rua, já que as portas de muitos estabelecimentos estão, literalmente, fechadas. O problema é que a maioria não fuma porque quer, mas porque são reféns da nicotina, que tem teor viciador similar ao da heroína” explica.

Evitar a segregação e tratar o fumante com compreensão são duas dicas do pneumologista Alberto de Araújo. Para ele, as restrições devem incentivar pedidos de ajuda, e não gerar ansiedade: “A pressão não deve ser contra a pessoa que fuma, pois ela é dependente e tem uma doença que precisa ser tratada, e sim contra o tabaco. E o fumante precisa lembrar que fumar é um direito dele, mas que também é seu dever respeitar a saúde e os pedidos de quem não fuma”, diz o pneumologista.
Fonte: O Globo (com alterações) – OBID