A presença de outros fumantes no domicílio não altera as taxas de sucesso no tratamento do tabagismo

Estudo do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo – PrevFumo da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp mostra que a presença de outros fumantes no domicílio não altera as taxas de sucesso no tratamento do tabagismo em pacientes motivados, contrariando o que costuma ser referido pelos próprios fumantes.

O resultado do estudo contraria a crença geral dos especialistas na “má influência” de quem convive com os fumantes. Dados serão apresentados internacionalmente em congresso médico nos Estados Unidos.

Existem variáveis que reconhecidamente podem interferir no tratamento do tabagismo, como presença de comorbidades psiquiátricas e dependência de nicotina. Porém, pouco se sabe sobre o impacto da presença de outros fumantes no domicílio para o sucesso do tratamento do tabagismo, apesar de muito referido pelos fumantes.

Para determinar se a presença de outros fumantes no domicílio interfere no resultado de curto prazo no tratamento do tabagismo, foram entrevistados, prospectivamente, 513 fumantes que procuraram o PrevFumo entre janeiro de 2001 e julho de 2006, para obter tratamento especializado visando parar de fumar. Destes, 58,1% relataram não ter outros fumantes no domicílio e, 41,9%, moravam com pelo menos um outro fumante. Entre os participantes da pesquisa, 64,7% eram do sexo masculino, com idade média de 47 anos e alta dependência de nicotina. O início da dependência ocorreu antes dos 18 anos para 77,6% dos pesquisados, com um consumo médio diário de 24 cigarros e tempo de tabagismo de cerca de 30 anos.

De acordo com o coordenador do PrevFumo e autor da pesquisa, Sergio Ricardo Santos, após o tratamento farmacológico e de terapia em grupo, 58,5% pararam de fumar. Destes, 58,7% não tinham outros fumantes no domicílio. Entre os que moravam com outros fumantes, o número não foi diferente: 58,1%. “A presença de outros fumantes no domicílio, a despeito de poder gerar gatilhos para fumar, não alterou as taxas de sucesso no tratamento do tabagismo em pacientes motivados”, afirma o pneumologista. “O reconhecimento antecipado de variáveis, sejam elas modificáveis ou não, que possam interferir no sucesso do tratamento do tabagismo é fundamental para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e tratamento”.
Fonte: Informativo Unifesp – OBID