Alcoolismo grave problema entre etnias indígenas brasileiras

O consumo de bebidas alcoólicas por comunidades indígenas vem se configurando como um grave problema social e de saúde, principalmente pelos danos acarretados, como suicídio, alcoolismo e violência. Soma-se a isso, a escassez de profissionais de saúde especializados e a descontinuidade ou falta de ações de intervenção e prevenção que se coadunem às especificidades de cada etnia indígena ou, no mínimo, sejam voltadas para a população indígena em geral.

Os principais grupos indígenas brasileiros em expressão demográfica são: Tikuna, Tukano, Macuxi, Yanomami, Guajajara, Terena, Pankaruru, Kayapó, Kaingang, Guarani, Xavante, Xerente, Nambikwara, Munduruku, Mura, Sateré-Maué. O que caracteriza uma diversidade sócio-cultural grande, pois além dessas etnias tradicionais conhecidas, existem outros grupos que ainda vivem isolados que não foram contatados, ou até mesmo grupos indígenas semi-urbanos e plenamente integrados às economias regionais.

Artigo publicado pela Revista Psicologia e Sociedade, em 2007, buscou evidenciar a relação entre alcoolismo e violência em etnias indígenas do Brasil, por meio da descrição e análise dos principais estudos epidemiológicos sobre alcoolismo realizados no país.

Os padrões de saúde e doença nas populações indígenas são balizados pelo tipo de contato com a sociedade nacional. Em 2000, a Fundação Nacional de Saúde – Funasa elaborou um diagnóstico indicando que entre as enfermidades mais comuns nos grupos indígenas brasileiros, está o alcoolismo, em especial, nas regiões nordeste, centro-oeste, sudeste e sul, já que os grupos dessas regiões possuem um histórico de contato amplo com a sociedade.

Outros estudos afirmam que tem ocorrido, nas etnias indígenas brasileiras, um aumento de casos das chamadas “doenças sociais”, como o alcoolismo e a depressão. Este fator faz com que a taxa de mortalidade dos índios brasileiros seja três a quatro vezes maior do que a média nacional brasileira não-indígena.

O alcoolismo tem sido, portanto, considerado uma das principais causas de mortalidade, seja pelo aumento da ocorrência de doenças como cirrose, diabetes, hipertensão arterial, doenças do coração, do aparelho digestivo, depressão e estresse ou como causa de morte por fatores externos, como acidentes, brigas, quedas, atropelamentos, entre outros.

Vários estudos foram feitos visando traçar o mapa do consumo de bebidas alcoólicas por populações indígenas e da correlação alcoolismo-violência. Estes estudos explicitam que a maioria dos autores concorda com a premissa de que o alcoolismo não deve ser visto de uma forma isolada, devendo ser compreendido dentro do seu contexto sociocultural.

As bebidas alcoólicas sempre foram utilizadas como instrumento de dominação em relação às populações indígenas. O processo de colonização e ocupação territorial nacional, a expansão das frentes econômicas (trabalho assalariado temporário, projetos de desenvolvimento, frentes de extrativismo), têm ameaçado a integridade do ambiente em que vivem as etnias indígenas, assim como seus saberes, sistema econômico e organização social, reduzindo-os a várias formas de extermínio como o aprisionamento, a escravidão e as epidemias. Dados da literatura nacional remetem a um aumento considerável da violência associada ao uso de álcool, principalmente pela exposição a situações de tensão social, ameaças e vulnerabilidade.

Os autores destacam a importância de historicizar o alcoolismo desde etapas mais remotas, passando pelas dificuldades de sua compreensão e da sua aceitação como doença, até as dificuldades diagnósticas em função da diversidade de grupos étnicos. O que evidencia a necessidade de intervenções específicas, pois a heterogeneidade cultural faz com que a significação e interpretação do alcoolismo e da violência tenham significados diferentes para cada grupo étnico.

Os autores do estudo arrematam sugerindo que se faz importante a união das etnias, entidades assistenciais governamentais e não-governamentais e da comunidade acadêmica universitária para sanar tal problema.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Psicologia e Sociedade, Porto Alegre, 19(1): 45-51, 2007. ISSN 0102-7182. Editada pela Associação Brasileira de Psicologia Social.

Título Original: Alcoolismo e violência em etnias indígenas: uma visão crítica da situação brasileira.


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Fonte: GUIMARAES, L. A. M. e GRUBITS, S. – OBID