Câncer de mama aumenta entre mulheres de até 35 anos

O número de casos de câncer de mama entre mulheres com até 35 anos está crescendo nos últimos anos. Segundo dados do Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, o diagnóstico da doença nesta faixa etária triplicou entre 1996 e 2005. O número de registros envolvendo mulheres de todas as idades também teve aumento significativo, saltando de 202 casos em 1996 para 513 em 2005, o que corresponde a um acréscimo de 154%. No Brasil, o câncer de mama é o que mais mata entre as mulheres.

Embora a maioria das mulheres acometidas pela doença possua mais de 50 anos, o ginecologista, obstetra e mastologista José Ismael Gil confirma que os casos de câncer de mama entre mulheres mais jovens vêm aumentando. “Em menos de uma semana operei duas mulheres, uma de 33 anos e outra de 29 anos. E já acompanhei um caso recente de uma menina de 17 anos com câncer de mama. Essa faixa de idade está totalmente fora da incidência e da epidemiologia”, ressalta.

Ele explica que, nas mulheres com menos de 35 anos, este tipo de câncer costuma ser mais agressivo e evoluir mais rapidamente, já que nesta idade a produção de hormônios femininos, o estrógeno, está em ritmo acelerado.

Gil atribui esta mudança no perfil das mulheres atingidas pelo câncer de mama à adoção de uma dieta rica em gorduras saturadas, ao sedentarismo, à obesidade, ao uso de hormônios, ao consumo excessivo de álcool e cigarro e ao estresse da vida contemporânea. De acordo com ele, a predisposição genética, ou seja, quando a paciente possui parentes com histórico de câncer, ainda é importante para avaliar as chances de uma pessoa desenvolver a doença.

São também fatores de risco a ocorrência da primeira menstruação antes dos 9 anos, entrada na menopausa depois dos 55 anos e o nascimento do primeiro filho depois dos 30 anos. “Este último fator vem sendo cada vez mais comum entre as mulheres culturalmente favorecidas, que preferem ter filho mais tarde, depois alcançar uma situação financeira estável”, destaca.

O mastologista alerta que ainda não existe uma forma de prevenir o câncer de mama. “Só é possível fazer um rastreamento através do auto-exame, da mamografia e, se necessário, do ultrassom da mama”, explica, enfatizando que o diagnóstico precoce da doença é fundamental para que o tratamento seja bem-sucedido. “Quando a detecção é precoce, afasta-se a necessidade de cirurgias mutiladoras e o índice de cura fica em torno de 98%”, garante.

Auto-exame

O auto-exame, método de apalpação do seio com o objetivo de detectar possíveis alterações, ainda é a principal forma da mulher perceber tumores benignos e malignos ainda em fase inicial. “O auto-exame é necessário, porém limitado. Por isso, se a mulher perceber um nódulo, deve procurar um especialista”, alerta o médico.

De acordo com o chefe do Serviço de Mastologia do Hospital Amaral Carvalho, José Roberto Fígaro Caldeira, a mamografia deve ser feita a cada dois anos a partir dos 35 anos. Após os 40 anos, o exame passa a ser anual. “Porém, para uma paciente sintomática, que esteja sentindo algum nódulo na mama, é recomendada a mamografia mesmo antes dos 35 anos”, afirma.

Mesmo com o aumento do número de casos de câncer de mama, o médico destaca que as campanhas maciças de combate à doença divulgadas nos meios de comunicação vêm estimulado as mulheres quanto à prevenção nos últimos anos.

Conforme os registros do hospital em Jaú, de 1996 a 1999 os casos câncer de mama detectados já em estágio avançado correspondiam a 51%. De 2000 a 2006, esses casos caíram para 37%, revelando que, neste período, houve um significativo aumento na quantidade de mulheres com diagnóstico precoce da doença.
Fonte: JORNAL DA CIDADE – BAURU-SP (com alterações) – OBID