Gravidade da dependência de tabaco associada à qualidade de vida


De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo é responsável por aproximadamente cinco milhões de mortes ao ano, sendo considerado a maior causa de morte evitável e que mais cresce no mundo. Diante disso, tem-se adotado como medida, o construto qualidade de vida para avaliar o impacto tanto do tabagismo quanto das doenças a este associadas. Segundo definição da OMS, a qualidade de vida é a percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida, em seu contexto cultural e nos sistemas de valores nos quais ele vive; remete-se, também aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

A importância de se vincular a noção de qualidade de vida com os impactos do tabagismo reside no seu caráter motivacional, pois estimula os tabagistas a cessarem o hábito de fumar, já que ao confrontar-los com aquilo que eles podem perder mantendo o hábito de fumar, acaba-se evidenciando o impacto de uma patologia e os danos de uma dependência; também podendo se configurar como uma estratégia terapêutica.

A partir desta noção, artigo publicado pela Revista de Psiquiatria Clínica, em 2007, avaliou a associação entre a qualidade de vida e a gravidade da dependência do tabaco. O estudo ouviu 276 dependentes de tabaco, de ambos os sexos, sem doenças relacionadas ao hábito de fumar, com idades entre 18 e 60 anos. De acordo com a pesquisa, a média de idade de início do uso de cigarro foi de 16 anos e o número de cigarros consumidos em um dia de 17,90, por pessoa. 25,4% tinham primeiro grau, 29,7%, segundo grau e 38,8% cursaram até o terceiro grau.

Os resultados revelaram que quanto ao quesito gravidade da dependência de tabaco, 50,4% eram dependentes leves, 33,7% eram moderados e 15,6% tinham um alto grau de dependência de tabaco. Foi verificada a associação entre a gravidade da dependência de tabaco às seguintes variáveis: baixa escolaridade, idade, idade de início do tabagismo, número de cigarros consumidos por dia, tempo de uso da substância e gênero. Foi constatado, também, que os dependentes graves de tabaco apresentavam mais sintomas de ansiedade e de depressão.

Os autores enfatizaram que a possível associação da qualidade de vida a gravidade do tabagismo pode constituir-se em uma medida de sensibilização e motivação, aos dependentes dessa substância, à interrupção desse hábito nocivo. Concluíram que os tabagistas graves têm mais prejuízos na qualidade de vida, mas como também apresentaram mais sintomas de ansiedade e depressão, em relação aos dependes leves e aos moderados, sugerem novas pesquisas que utilizem um instrumento que rastreie comorbidades clínicas e psiquiátricas.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista de Psiquiatria Clínica, São Paulo, 34(2): 61-67, 2007. ISSN 0101-6083. Editada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Título Original: Qualidade de vida e gravidade da dependência de tabaco


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Autor: CASTRO, M. G.; OLIVEIRA, M. S.; MORAES, J. F. D. et al.
Fonte: OBID