Pesquisa feita em Belo Horizonte revela que 45% dos motoristas dirigem alcoolizados

Pesquisa feita na região da Savassi, maior área boêmia de Belo Horizonte, mostra que 45% dos motoristas, a maioria jovem, dirige com algum nível de álcool no sangue. O levantamento é da Subsecretaria de Estado Antidrogas e é um dos pontos de reflexão da Semana Nacional de Trânsito, lançada hoje – 18/09, pelo governo federal, com o objetivo de formular políticas públicas e estimular a responsabilidade no trânsito, principalmente entre a juventude, a maior vítima de acidentes no país. Até o dia 25, seminários e campanhas em todos os estados vão voltar as atenções para o tema, que, mais que um drama social, tornou-se problema de saúde pública.

O estudo em BH foi feito com 430 pessoas, em dezembro, abordadas em dois pontos da região, entre as 22h e as 2h. Elas responderam a um questionário e foram convidadas a soprar o bafômetro. Das 294 que aceitaram o desafio, 22,6% estavam com teor de álcool superior ao limite estipulado em lei: 0,06 grama por litro de sangue. Outras 22,4% estavam abaixo desse nível, o que já é considerado perigoso pelos especialistas, pela falta de parâmetros subjetivos para avaliar o risco. As amostras que não acusaram presença da droga foram pouco mais da metade – 55%.

As informações fornecidas pelo maior grupo, que apenas respondeu às perguntas, também preocupam. Quase a metade admitiu ter bebido no mesmo dia em que foram abordadas ao volante. A maioria – 65%, disse usar cerveja, vodka e outras bebidas de uma a quatro vezes por semana. Para o subsecretário de Estado Antidrogas, Cloves Benevides, os números são um retrato do comportamento do jovem no trânsito, uma vez que 70% tinham de 18 a 40 anos, a faixa que mais se envolve em acidentes. Ele diz que, além de melhorar as políticas públicas voltadas para a conscientização desse público, é necessário aumentar a fiscalização sobre o uso do álcool.

Repressão

A constatação está no próprio levantamento. A maioria dos ouvidos disse que dirigir sob efeitos de bebida é o mais grave tipo de infração. E concorda que o bafômetro é uma medida eficaz para reduzir a violência nas pistas. “O problema é que, na prática, não adotam atitudes conscientes, o que mostra a necessidade de repressão. Sabendo que há blitz na rua, as pessoas vão pensar duas vezes antes de beber e pegar o carro”, diz Benevides, acrescentando que uma segunda rodada da pesquisa, feita em todas as regiões administrativas do estado, ficará pronta até outubro.
Fonte: JORNAL DO COMMERCIO-RJ – OBID