Fumódromos – defendendo a saúde de quem não fuma

Defender a saúde de quem não fuma. Esta é a meta do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ao sugerir o fim dos fumódromos no Brasil. Dentro do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC da Saúde, ele irá propor um projeto de lei ao Congresso acabando com as áreas destinadas aos fumantes em ambientes fechados, tornando-os totalmente livres de fumaça. As orientações reforçam o fato de que a ventilação e filtragem do ar não são suficientes para reduzir a exposição passiva aos malefícios da fumaça.

Segundo a fisioterapeuta Ana Luiza Oliveira Prado Souza, mestre em tabagismo, a fumaça eliminada pela queima do cigarro forma duas correntes. A primeira é aquela inalada pelo próprio fumante, durante a tragada. Já a secundária é formada no intervalo entre as tragadas e é emitida livremente da ponta do cigarro aceso, diretamente no ar.

“Durante a corrente secundária, não houve a filtragem do cigarro, que queima lentamente, em baixa temperatura, liberando mais de 5 mil substâncias nocivas”, explica Ana Luiza.

Conforme ela, algumas das substâncias encontradas na corrente principal, como amônia, benzeno, monóxido de carbono, nicotina e outros cancerígenos, estão na fumaça secundária, a qual polui muito mais o ambiente do que a própria fumaça tragada pelo fumante.

Para a fisioterapeuta, apesar do lobby das indústrias do setor, a lei que quer extinguir os fumódromos tem grande chance de ser aprovada. “Mais do que excluir e discriminar os fumantes, deve-se ofertar tratamento. As campanhas preventivas, apoiadas nas leis antitabagistas, surtem resultado. Dados da Organização Mundial da Saúde – OMS apontam que o número de fumantes no Brasil reduziu consideravelmente na última década. Fumantes querem parar de fumar”.

Desde 1992, a OMS considera o tabagismo doença. No entanto, apesar de ter sido signatário da Convenção Quadro para o Controle do Tabagismo com outros 167 países, o Brasil ainda discute a regulamentação de fumódromos. “Em Nova York os fumódromos já são proibidos e a experiência é bem sucedida. Na Argentina, os estabelecimentos comerciais estão em fase de adaptação e a União Européia tem planos de proibir a instalação de fumódromos até 2009”, informa Ana Luiza.

Segundo ela, durante o Fórum Tabagismo Passivo e Legislação sobre Ambientes Livres de Fumo, realizado no início de setembro, no Rio de Janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa propôs uma consulta pública sobre uma nova regulamentação do fumo em ambientes fechados.

A proposta prevê a padronização de salas para fumantes, com área mínima de 4,8 metros quadrados, acesso único e sem aberturas para o exterior, separação dos demais ambientes por divisão fixa, portas automáticas e pisos e paredes resistentes à lavagem frequente.

“O tabagismo passivo é a terceira causa de morte evitável no mundo, logo atrás do tabagismo ativo e do álcool”, assinala a fisioterapeuta. Conforme ela, a absorção passiva de fumaça aumenta em 30% o risco de um indivíduo desenvolver câncer de pulmão e em 24% o risco de infarto em relação aos não fumantes que não estão expostos ao tabaco.

“Dependendo do tempo de exposição, a fumaça pode causar efeitos de curto prazo como irritação nos olhos, coriza, tosse, cefaléia, alergias, além de efeitos a longo prazo como a diminuição da capacidade funcional respiratória e o aumento do risco de arteriosclerose”, completa.
Fonte: Folha de Londrina – PR – OBID