Mais de 11% da população do Distrito Federal sofre com dependência química

Mais de 11% da população do Distrito Federal, entre 12 e 60 anos, apresenta algum tipo de dependência química, segundo dados do Ministério da Saúde. A maioria, cerca de 270 mil, é alcoólatra. Os outros 150 mil se dividem entre usuários de drogas ilícitas como maconha, cocaína, êxtase e heroína. Foi essa avalanche de números negativos que levou o psiquiatra Leonardo Moreira a elaborar o Programa Distrital de Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas – Prodaad, lançado no dia 04/10 pela Secretaria de Saúde.

De acordo com Moreira, que vai coordenar os trabalhos, o Prodaad foi a maneira mais produtiva encontrada pela Secretaria para trabalhar com a questão. “Vamos sentar com todos os diretores dos hospitais regionais do Plano Piloto para começar as primeiras aulas. Queremos iniciar por aqui, porque essa é a região onde mais aparecem pacientes usuários de drogas, após sofrerem algum tipo de overdose, ou mesmo acidentes de trânsito”, explica.

Dados técnicos da Secretaria mostram que o fato de as emergências dos hospitais estarem sempre lotadas tem enorme colaboração das drogas. Isso porque, segundo o secretário Geraldo Maciel, um dependente químico tem cinco vezes mais possibilidade de sofrer um acidente de trânsito do que o restante da população. “A coisa mais comum do mundo é ir à emergência e ver que a maioria das pessoas chega ali após se envolver em algum tipo de acidente por estar sob efeito de drogas”, salientou.

Ações

O programa começa imediatamente e vai atuar com duas frentes: uma junto aos médicos dos hospitais regionais e outra para trabalhar no serviço de atenção básica de saúde – clínicas e postos. A equipe responsável pelos hospitais será formada por três profissionais de saúde e um especialista em intoxicação de entorpecentes. Eles treinaram médicos e enfermeiros com informações técnicas sobre como lidar com um dependente químico.

Já a equipe que prestará serviços na atenção básica será responsável pela conscientização da população através de eventos em escolas e postos de saúde do Distrito Federal. Para esse trabalho, a Coordenadoria de Saúde Mental pretende recrutar cerca de 400 voluntários. “Trata-se de um programa itinerante. Essas pessoas serão treinadas e preparadas para orientar a população sobre a forma como um usuário de drogas deve ser tratado. Além, é claro, de encabeçarem palestras e eventos sobre os perigos da droga em escolas”, explica a gerente de saúde mental, Guanaira Rodrigues.
Fonte: CORREIO BRAZILIENSE WEB ONLINE – OBID