Pesquisa mato-grossense diz que 30% dos caminhoneiros usam rebite

Uma pesquisa realizada em Mato Grosso chegou a um resultado assustador: 30% dos caminhoneiros usam estimulantes, os chamados rebites, para vencer o cansaço. Os dados foram divulgados na semana passada, em Cuiabá.

Os procuradores do Trabalho Alesandro Batista Beraldo e Paulo Douglas Almeida de Moraes, de Rondonópolis, realizaram o levantamento em parceria com a Polícia Rodoviária Federal – PRF e a Subdelegacia do Trabalho. Moraes destacou que o uso de anfetaminas e cocaína por motoristas do transporte rodoviário de carga coloca em risco todos os que trafegam em rodovias:

“Esperamos sensibilizar, conscientizar e mobilizar os segmentos sociais capazes de modificar essa realidade quanto à gravidade e extensão do problema, e que não ocorre somente em Mato Grosso, mas em todo o país”.

A pesquisa teve início no dia 23 de maio deste ano, no posto da PRF localizado na BR- 364, saída para Cuiabá, considerada uma das rodovias mais perigosas devido ao intenso tráfego de grandes carretas. Foi coletada a urina de 104 motoristas e recolhido o questionário preenchido por 122 – 18 caminhoneiros se recusaram a fornecer amostras.

Motoristas autônomos cuidam mais da saúde

Constatou-se que 30% dos motoristas pesquisados fazem uso de algum tipo de anfetamina ou cocaína, ou seja, ficam sem a reunião dos reflexos necessários para dirigir. A partir das entrevistas e dos questionários respondidos, a primeira das conclusões dos pesquisadores é de que os motoristas que declararam usar drogas o fazem para suportar a extenuante jornada de trabalho. Foi apurado que os motoristas autônomos, mesmo sem controle de jornada e ganhando por produção, cuidam mais da sua saúde.

O promotor diz que, quando o motorista morre, a pensão recebida pela família é insignificante, porque o Instituto Nacional do Seguro Social paga com base no que é recolhido.

“Não é esse o conceito de responsabilidade social”, lembra Moraes.

Uma cópia do relatório foi entregue pela procuradora Eliney Bezerra Veloso, ao Ministério do Trabalho e Emprego, em Brasília. Na ocasião, foi solicitado ao ministério a adoção de medidas de regulamentação do controle de jornada para o setor rodoviário de transporte e um estudo da situação desses trabalhadores em todas as rodovias do país.
Fonte: Zero Hora – RS – OBID