Tabagismo passivo é a terceira causa de morte evitável no mundo

Os efeitos devastadores do cigarro não atingem apenas os fumantes. Aqueles que possuem contato com a fumaça do tabaco, os chamados “fumantes passivos”, têm grandes chances de desenvolver uma série de problemas de saúde que estão relacionados ao tabagismo.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer – Inca, o tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, superada apenas pelo tabagismo ativo e pelo consumo excessivo de álcool. Estima-se que 3% dos casos de câncer de pulmão ocorrem em fumantes passivos. Outros 90% ocorrem em fumantes e apenas 6,7% não estão relacionados ao cigarro.

Os riscos são ainda maiores para aqueles que têm contato direto e prolongado com fumantes. Para os não-fumantes que convivem no mesmo lar ou trabalham diariamente com tabagistas, o risco de contrair câncer de pulmão é de 30% e de 25% para problemas cardiovasculares.

O câncer de pulmão é a maior conseqüência do tabagismo passivo, embora quem seja submetido à fumaça do cigarro sofra os efeitos imediatos da poluição tabágica ambiental, como infecções, irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, dor de cabeça, exacerbação de alergias e problemas cardiovasculares. A médio prazo, pode haver a redução da capacidade funcional respiratória e o aumento do risco de arteriosclerose.

Os não-fumantes expostos à fumaça dos derivados do tabaco absorvem nicotina, monóxido de carbono e outras substâncias contidas no cigarro, charuto ou cachimbo, da mesma forma que os fumantes. “Existem mais de quatro mil substâncias tóxicas na fumaça de um cigarro, sendo que cerca de 60 delas são cancerígenas”, alertou a diretora executiva da Aliança de Controle do Tabagismo – ACT, Paula Johns.

A organização não-governamental é responsável por uma campanha nacional de mobilização e articulação da sociedade, para apoiar o processo de ratificação das leis da Convenção-Quadro para o controle do tabaco e monitorar a implementação das obrigações contidas no tratado internacional e em seus protocolos na legislação nacional.

Segundo Paula, a quantidade de tóxicos absorvidos passivamente depende do tempo de exposição, da quantidade de absorção e da qualidade da ventilação do ambiente. Ela alerta que a fumaça que sai da ponta do cigarro contém, em média, três vezes mais nicotina e monóxido de carbono, e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que é inalada. “A corrente da ponta do cigarro é muito mais forte do que a fumaça tragada pelo fumante porque os pulmões acabam filtrando parte das toxinas”, observou.

Infância

Segundo o pneumologista Augusto Faria, do Hospital Português, a fumaça do tabaco tem efeitos mais devastadores em crianças. Elas ficam mais vulneráveis a resfriados e doenças respiratórias, como pneumonia, bronquite e asma. “Uma criança que tem contato direto com pais fumantes tem até três vezes mais chances de desenvolver pneumonia”, alerta. Em bebês, estudos apontam que a exposição à fumaça do tabaco pode aumentar em até cinco vezes as chances de morte súbita.

No Brasil, existe há dez anos a Lei nº 9.294, que proíbe o uso de cigarros e outros derivados do tabaco em recinto coletivo, privado ou público, exceto nos chamados fumódromos. Apesar disso, a lei é controversa e pouco respeitada, porque não há fiscalização ou penalidades previstas. Além disso, a lei não abrange casas de shows, boates e não tem adesão da maioria dos restaurantes e lanchonetes.
Fonte: Correio da Bahia – BA – OBID