Dependência do fumo entre médicos

Por desempenharem um papel fundamental na prevenção, orientação e cessação do tabagismo entre seus pacientes e na população em geral, o tabagismo na classe médica é um assunto preocupante e que suscita discussões sobre a dependência nicotínica e o porquê dessa conduta em profissionais que conhecem de perto os malefícios acarretados pelo cigarro.

Artigo publicado em 2007 pelo Jornal Brasileiro de Pneumologia buscou conhecer as características do tabagismo na categoria médica do Distrito Federal.

A coleta de dados deu-se por meio da aplicação de um questionário sobre tabagismo – enviado pelo correio, adaptado da Organização Mundial de Saúde (OMS) – a todos os médicos inscritos no Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal. De um total de 7.023 questionários enviados, 830 foram respondidos adequadamente.

A prevalência do tabagismo entre os médicos participantes do estudo foi de 7,2%, sendo 5,9% de fumantes regulares e 1,3% de fumantes ocasionais. Os resultados apontaram que, de acordo com o gênero, 8,5% dos homens eram fumantes contra 5,3% das mulheres.

No que se refere à iniciação do tabagismo, 80% dos médicos iniciaram o hábito antes dos vinte anos de idade, 13% entre os 21 e 30 anos e 7% acima de 31 anos. Foi constatado que 52,6% dos tabagistas consumiam dez cigarros por dia e 70% dos fumantes informaram o hábito de começar a fumar na primeira hora após acordar, demonstrando grande dependência da nicotina.

Cerca de 75% dos fumantes já haviam sido aconselhados por médicos a parar de fumar e apenas 34,9% tentaram parar de fumar no último ano. 57,1% admitiram que o cigarro faz mal à saúde, e 26,3% referiram fumar em hospitais e/ou consultórios.

Concluiu-se que mesmo considerando que muitos médicos tenham iniciado o hábito de fumar antes de terem escolhido a profissão ou o tenham feito no ambiente universitário, e sabendo dos malefícios acarretados, estes profis¬sionais continuam com o hábito, possivelmente pela dificuldade de abandonar a dependência, em virtude da nicotina. O que pôde ser constatado, sobretudo por 70% dos usuários fumarem na primeira hora após acordar e por uma apenas uma pequena parcela da amostra ter manifestado a intenção de cessar o tabagismo.

Os autores afirmam que, principalmente, a classe médica tem negligenciado o aconselhamento a seus pacientes sobre a necessidade de cessação do hábito de fumar deixando de prestar assistência adequada aos dependentes, inferindo, assim, que a manutenção do hábito tabágico na categoria médica interfere no auxílio que esses profissionais deveriam prestar a seus pacientes. Diante desse quadro faz-se necessário que medidas para controle do tabagismo sejam intensificadas e direcionadas aos médicos do Distrito Federal, pois a interrupção do hábito tabágico, pela população em geral, depende muito do envolvimento da categoria médica.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pelo Jornal Brasileiro de Pneumologia, São Paulo, 33(1): 76-80, 2007. ISSN 1806-3713. Editado pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

Título Original: Características do tabagismo na categoria médica do Distrito Federal.
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Fonte: VIEGAS, C. A. A.; ANDRADE, A. P. A.; SILVESTRE, R. S. – OBID