Entrevista com Dr. Hermann Grinfeld – Síndrome fetal alcoólica

Médico graduado pela Faculdade de Medicina de Sorocaba da Pontifícia Universidade de São Paulo e especialista em pediatria pelo Hospital Infantil Menino Jesus (PMSP). Mestre em Perinatologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein e Doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Ciências Biomédicas e Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

1. O que é a Síndrome fetal alcoólica (SAF)?
É uma doença que ocorre nos fetos (intra-útero portanto) quando a mulher grávida é alcoolista, ou seja, usuária contínua ou dependente de bebida alcoólica. O álcool é causador de malformações anatômicas, chamadas de teratogenias, quando ingerido sob a forma de cerveja, pinga, vinho, etc. durante a gravidez. Pode então provocar alterações físicas e comportamentais no filho. É um grave problema de natureza médica e de saúde pública.

2. Quais as conseqüências?
As crianças que sofrem a exposição ao álcool durante a gestação exibem um quadro que pode ser mais ou menos evidente, dependendo do quanto estiveram expostas, isto é, depende da quantidade de álcool que as gestantes ingeriram durante a gravidez. O quadro completo, que pode aparecer quando a mãe é alcoolista “pesada”, que bebe mais de 5 doses de pinga por dia, por exemplo, é composto por:
a)retardo de crescimento,
b)retardo mental,
c)duas ou mais alterações de dismorfismo facial, como microcefalia (cabeça pequena), menor fenda palpebral, nariz curto, ausência ou apagamento do filtro nasal, e lábio superior afilado.
Devido a isto, as crianças acometidas terão problemas no seu crescimento e nutrição, vão apresentar problemas de desempenho escolar e nas áreas cognitivas e de relacionamento. Com o correr dos anos, as alterações faciais vão esmaecendo, porém permanecem o menor desenvolvimento físico e mental, com todas as conseqüências decorrentes disto.

3. Recentemente tem-se utilizado a nomenclatura “Transtornos…” A que se deve esta mudança?
Devido à grande variação do quadro apresentado pelos pacientes acometidos, preferiu-se denominar a síndrome, completa ou não, de “transtornos do espectro fetal alcoólico”, uma vez que quando não se tem todos os comemorativos, durante muito tempo se chamou de “efeito alcoólico fetal”. Para fins de classificação, a denominação de transtornos é mais abrangente.

4. Que cuidados a mãe deve tomar?
A doença é perfeitamente prevenível. Isto quer dizer que se a mãe não ingerir bebida alcoólica na sua gestação o feto não será acometido. O problema da prevenção da SAF é primordialmente da equipe que acompanha o pré-natal de mulheres alcoólatras, e esta equipe deve estar munida de profissionais com experiência no atendimento psicológico, psiquiátrico, terapêutico e de assistência social, uma vez que esta parcela da população é muito pouco suscetível ao aconselhamento de abstinência ou a mudanças na sua dependência do álcool.
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool