Parar de fumar reduz risco de câncer em 90%

O pulmão do fumante nunca voltará a ser como era antes do início da dependência, mas pode chegar bem perto disso. Estudos indicam que, 15 anos após o abandono da dependência, o organismo se recupera a ponto de reduzir em 90% o risco de câncer de pulmão.

“O pulmão não voltará a ser como o de alguém que nunca fumou, mas a redução do risco de câncer é significativa”, diz Marcelo Calil Machado Netto, oncologista do Hospital Beneficência Portuguesa de Santo André (ABC). Segundo ele, a redução do risco só é notado a partir do quinto ano longe do fumo, mas justifica o esforço de abandonar o vício.

Não faltam razões para evitar o cigarro: o câncer de pulmão atingiu, em 2006, cerca de 27 mil brasileiros – 18 mil homens e 9.000 mulheres. Neste ano, uma das vítimas foi o ator Paulo Autran, que morreu no dia 12 de outubro, aos 85 anos. A mulher dele, Karin Rodrigues, fez questão de ressaltar que ele morreu devido a dependência do fumo. “Se não fumasse, poderia ter vivido mais uns dez anos.”

O risco de câncer é proporcional à quantidade de cigarros consumidos, mas não há tempo nem quantidade segura. “O ideal é não fumar”, recomenda Machado Netto. Para quem não consegue parar, reduzir a quantia de cigarros já ajuda. “Quem consome mais de 15 cigarros por dia poderá reduzir em 27% o risco de câncer se diminuir o consumo diário para sete cigarros”, explica o médico.

Os sintomas costumam aparecer só quando a doença está em estágio avançado. Tosse persistente, falta de ar e dores no peito são os mais comuns. Outro indicativo de câncer, em pacientes portadores de enfisema pulmonar, é o agravamento repentino da doença.

Em estágio avançado, o câncer de pulmão pode provocar sintomas que aparentemente nada têm a ver com a doença: dores de cabeça ou nos ossos, por exemplo. Isso decorre das metástases -a partir do pulmão, o câncer se espalha por outros órgãos, causando tumores principalmente no outro pulmão, nos ossos, no cérebro e no fígado.

O diagnóstico depende de vários exames: os primeiros confirmam apenas a existência de um tumor -mas ainda não um câncer, pois ele pode ser benigno. A biópsia confirma não só o câncer como o tipo -existem dois, chamados de “pequenas células” e de “não pequenas células”.

O mais comum é o de “não pequenas células”, mas o outro é mais agressivo. O tratamento é feito com quimioterapia, radioterapia e cirurgia – mas essa só é realizada quando a doença ainda não se espalhou.
OBID Fonte: Agora São Paulo – SP