Terapia de casal aumenta chances de vencer o alcoolismo

Dependentes de álcool que fazem terapia com o marido ou a mulher têm uma chance duas vezes maior de permanecer abstêmio. A conclusão foi obtida a partir de uma revisão de 112 estudos, envolvendo 22 mil pacientes, apresentada no XV Colóquio Mundial da Colaboração Cochrane, que começou na terça-feira (23/10) em São Paulo.

O trabalho, conduzido durante cinco anos pelo psiquiatra Bernardo Soares, médico do Hospital São Paulo e integrante do Centro Cochrane Brasil, mostra que envolver o companheiro no tratamento é uma forma eficaz de tratar a dependência, especialmente quando a medida é associada a outras terapias. “A terapia em casal faz com que o parceiro compreenda que o alcoolismo é uma doença e não uma falha de caráter e também é uma forma de combater casos de co-dependência, em que a bebida vira o bode expiatório da família”, explica.

Segundo Soares, a análise também comprovou a importância de intervenções mais simples, como a abordagem feita pelo médico que primeiro entra em contato com o dependente. É o caso, por exemplo, do profissional que atende a vítima de um acidente de carro provocado pela bebida. Ou do gastroenterologista que detecta uma lesão no fígado em decorrência do abuso de álcool. “O médico que dá dicas práticas para o paciente ou o encaminha para um especialista exerce um papel importante no tratamento”, afirma o pesquisador.

O trabalho também mostrou que o nível de eficácia das abordagens ambulatoriais costuma ser maior que o das internações para o tratamento da doença. “Em casos graves, a hospitalização é necessária para controlar os sintomas de desintoxicação, mas, de um modo geral, é importante que o paciente permaneça no ambiente em que vive”, diz Soares. Apesar dos resultados, o psiquiatra reforça que os especialistas devem avaliar qual a combinação de terapias mais adequada para cada paciente.
OBID Fonte: UOL Ciência e Saúde