Uso de drogas entre estudantes de medicina

Os estudantes de medicina estão consumindo álcool e outras substâncias psicoativas em proporção igual à de jovens de mesma idade na população geral, apesar do seu conhecimento sobre os efeitos danosos dessas substâncias e de estarem se preparando para tratar de indivíduos, inclusive aqueles com problemas relacionados ao consumo de drogas.

Artigo publicado pela Revista de Psiquiatria Clínica, em 2007, buscou analisar o padrão do consumo de substâncias psicoativas entre estudantes de medicina e contribuir na formulação de atividades preventivas.

Os dados foram coletados por meio da aplicação de um questionário anônimo, padronizado, de auto-preenchimento. O questionário era composto por nove questões objetivas, baseadas no modelo proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para estudantes, no qual foi avaliada a freqüência de uso das substâncias psicoativas entre os estudantes, assim como as principais razões apontadas para o uso.

Foram analisados 404 questionários obtidos entre alunos dos seis anos de curso das duas maiores escolas médicas de Salvador.

Os resultados apontaram que entre as drogas mais consumidas estavam o álcool, consumido por 92,8% dos graduandos, e o lança-perfume, por 46,2%. Sendo que os homens consomem mais estas substâncias.

O uso de álcool apresentou-se constante nos seis anos de curso e o uso de tabaco, lança-perfume e tranqüilizantes aumentou significativamente para os alunos dos últimos anos. Há um maior consumo de drogas pelo gênero masculino.
Dentre as razões utilizadas para justificar o consumo estão a diversão com 58,7% das respostas, 39,1% responderam que utilizam para relaxar e 28,7% da amostra disse que usava para aliviar o estresse. Os resultados explicitaram também que a maioria dos entrevistados, 70%, considera que o modo de vida do estudante de medicina favorece o uso dessas substâncias.

A pesquisa concluiu que o consumo de substâncias psicoativas entre estudantes de medicina de Salvador é alto e preocupante, principalmente em virtude de três aspectos: primeiro, porque como futuros médicos, irão tratar de pacientes com problemas relativos ao uso dessas substâncias e suas atitudes em relação a essa prática podem influenciar o seu comportamento profissional; segundo, porque o uso de psicoativos contribui para um desempenho acadêmico ruim e; terceiro, porque medidas preventivas implantadas durante o curso podem contribuir para diminuir a prevalência de consumo entre a categoria médica.

O artigo arremata enfatizando que é de suma importância que as escolas formalizem os serviços de apoio psicológico aos graduandos, principalmente quando se observa dependência química. Além de sugerir que outros estudos, concernentes ao tema em questão, sejam realizados.

Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista de Psiquiatria Clínica, São Paulo, 34(3): 118-124, 2007. ISSN 0101-6083. Editado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Título Original: Uso de substâncias psicoativas entre estudantes de Medicina de Salvador (BA).

Fonte: LEMOS, K. M.; NEVES, N. M. B. C.; KUWANO, A. Y. et al.
– OBID