Apreensão de êxtase pela Polícia Federal cresce 725% no país

A apreensão de êxtase no país pela Polícia Federal cresceu 725% no ano de 2007 em relação ao ano de 2006. O advento das raves e o aumento do consumo da droga sintética por jovens são fatores que explicam a tendência.

Até outubro, foram apreendidos 157 mil comprimidos. Durante 2006, foram 19 mil. Nesta semana, um jovem de 17 anos morreu em Itaboraí (45 km do Rio), em uma rave -festa de música eletrônica que pode durar 24 horas. A suspeita é que ele tenha ingerido drogas em excesso. Ao menos 18 pessoas, que apresentavam quadro de alucinação, precisaram ser internadas durante esse mesmo evento.

Os dados da Polícia Federal mostram que São Paulo lidera a lista de apreensões da droga, com 87 mil comprimidos – a maioria no aeroporto de Guarulhos.

Logo atrás está Santa Catarina, com 35 mil – a Polícia Federal aponta o fato de o Estado ser palco freqüente de festas de música eletrônica como um dos motivos.

Para a psicóloga Stella Pereira de Almeida, o crescente consumo da droga explica o alto índice de apreensão. Tese de doutorado da Universidade de São Paulo – USP, defendida por ela em 2005 apontou que, de 1.140 usuários entrevistados, 55,3% haviam experimentado a droga dois anos antes.

“É claro e notório que o uso está em ascendência. A droga é fácil de consumir, os efeitos são prazerosos”. Segundo ela, a tríade “juventude, vanguarda e música” sempre é associada a algum tipo de droga em determinada época. “O êxtase, parece, veio para ficar”.

Para a Polícia Federal, a apreensão recorde tem relação com a maior repressão nos aeroportos e em zonas de fronteira. A polícia diz que há outras formas de negociação, como pela internet e por remessas via correio. A polícia aponta ainda que a apreensão se dá em aeroportos porque a maior parte do êxtase é fabricada em laboratórios na Europa.

A Secretaria Nacional Antidrogas – Senad informou, entretanto, que o primeiro laboratório clandestino de êxtase foi descoberto já em 2000 no Brasil, o que reforça a suspeita de produção crescente por aqui.

Perfil

O perfil do traficante de êxtase é diferente do de outras drogas, como maconha e cocaína. Para a polícia, são jovens de classes média e alta que fazem uso da droga no exterior e que, além de consumidores, tornam-se vendedores para sustentar a dependência e obter renda.

O delegado da Polícia Federal, Maurício Manica, afirma que o criminoso que vende êxtase costuma ter atuação discreta. “É um traficante que tem uma rede de contatos, mas não uma organização criminosa violenta”, diz.

O êxtase provoca aumento da energia, sociabilidade e disposição sexual, além de sensação de euforia e bem-estar.

Há, no entanto, efeitos indesejáveis como ansiedade, insônia, alucinação, tensão psíquica, boca seca, taquicardia, hipertensão arterial, perda de apetite e dores.

Para a pesquisadora da USP, como a droga causa dependência, a redução de danos ainda é o método mais indicado para evitar efeitos colaterais.
OBID Fonte: FOLHA DE S.PAULO-SP (com alterações)