Alcoolismo cresce entre jovens menores de 25 anos

O álcool é a droga mais consumida no mundo. Segundo dados de 2004 da Organização Mundial da Saúde – OMS, aproximadamente 2 bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas. Se os dados já chamam a atenção, a preocupação é ainda maior quando se percebe que o alcoolismo já possui um novo padrão: muitos jovens, menores de 25 anos, têm bebido compulsivamente nos fins de semana e apresentado transtornos na conduta social.

Em agosto deste ano, foi divulgada pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad uma pesquisa inédita sobre o consumo de álcool no País. O 1º Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira tem como objetivo fazer um diagnóstico do consumo de álcool no Brasil e fornecer subsídios para elaboração de políticas públicas relacionadas ao consumo abusivo das bebidas alcoólicas.

De acordo com as informações deste levantamento, grande parte dos que bebem já se excederam uma ou várias vezes, criando situações de alto risco e, do ponto de vista da saúde pública, essa maneira de beber ocorre com mais freqüência entre os jovens. Cerca de 40% da faixa etária de 18 a 34 anos bebeu na forma de “binge” (ingestão compulsiva de álcool em um período breve de tempo).

Segundo artigo publicado em setembro deste ano no site do Hospital Israelita Albert Einstein, Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas)/Programa Álcool e Drogas – PAD, os adolescentes participam de forma cada vez mais expressiva da estatística do alcoolismo no País e já correspondem a 10% da parcela de brasileiros que bebem muito, somando um total de 3,5 milhões de jovens. Esse número é resultado da tendência de aumento de consumo nessa faixa etária já verificada por estudos anteriores. Em levantamento feito no ano passado pelo Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas – Cebrid, em cinco anos a ingestão de bebidas alcoólicas aumentou 30% entre jovens de 12 a 17 anos e 25% entre jovens de 18 a 24 anos.

Na Espanha, conforme a última Pesquisa Escolar do Plano Nacional sobre Drogas, a metade dos jovens entre 14 e 18 anos bebe aos fins de semana e, destes, 4% confessam que já passaram por mais de cinco ressacas em um mês. A permissividade dos pais diante do álcool enquanto concentram suas preocupações nas drogas e a extensão de um modelo nórdico (beber no fim de semana até cair) tendem a ser algumas das razões de uma realidade que pode acabar com a saúde de um quarto dos jovens espanhóis.

Entretanto, este cenário de “jovens que bebem” também é cada vez mais comum no Brasil. Por isso mesmo, os dados da pesquisa da Senad mostram que existe uma percepção crescente de que maiores controles sociais são necessários para estabelecer regras de comercialização e utilização social do álcool.
OBID Fonte: Bonde